Junta no poder em Mianmar proclama vitória ampla em eleição sem oposição democrática
O partido ligado à junta militar que governa Mianmar desde o golpe de Estado de 2021 anunciou uma vitória ampla nas eleições realizadas em três etapas no país, concluídas no último domingo. O pleito ocorreu sem a participação de forças pró-democracia e sob forte controle das Forças Armadas.
De acordo com resultados divulgados pela comissão eleitoral, órgão controlado pelos militares, o Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (USDP) conquistou cerca de 300 das 420 cadeiras em disputa no Parlamento bicameral. A informação foi reproduzida por veículos alinhados ao regime.
Com a maioria, o partido governista garantiu apoio suficiente para definir os três vice-presidentes e também o chefe do Executivo no novo Parlamento. Desde julho do ano passado, o comando do país é exercido de forma interina pelo general Min Aung Hlaing, líder da junta militar, que ainda não confirmou qual função ocupará na próxima administração.

Outras siglas menores, formadas ou lideradas por aliados do Exército, ficaram com aproximadamente 30 cadeiras, segundo os dados parciais divulgados desde a primeira fase da votação, realizada em dezembro.
Diversos parlamentares eleitos estão sob sanções internacionais impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, em razão do envolvimento com o regime militar, acusado de ataques sistemáticos contra civis desde a deposição do governo eleito, liderado por Aung San Suu Kyi, que permanece presa.
As eleições foram amplamente criticadas por organismos internacionais e países ocidentais, que classificam o processo como fraudulento. A Organização das Nações Unidas apontou que partidos e lideranças democráticas foram impedidos de concorrer, enquanto parte da oposição passou a integrar movimentos armados que enfrentam o Exército.
Além disso, o pleito não ocorreu em pelo menos 56 municípios, além de dezenas de bairros excluídos por estarem fora do controle militar. Nessas áreas, grupos étnicos armados e forças pró-democracia mantêm domínio territorial, em um conflito histórico que se intensificou após o golpe de 2021.
