Um novo relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que a ditadura militar assassinou o ex-presidente Juscelino Kubitschek em 1976. A conclusão derruba a versão oficial sustentada durante décadas, que atribuía a morte a um acidente automobilístico.
A historiadora Maria Cecília Adão elaborou o documento, que reúne mais de 5 mil páginas entre análises, anexos e investigações anteriores. Agora, os conselheiros da comissão devem votar o parecer nos próximos dias.
Segundo o relatório, a repressão política motivou a morte de JK. Na época, o ex-presidente integrava a oposição ao regime militar e participava da Frente Ampla, movimento que defendia a redemocratização do país.
O acidente aconteceu em 22 de agosto de 1976, na Via Dutra. O carro de JK, conduzido pelo motorista Geraldo Ribeiro, perdeu o controle e colidiu contra uma carreta. Os dois morreram no local.
Entretanto, novas investigações levantaram dúvidas sobre essa versão. Um inquérito do Ministério Público Federal, concluído em 2019, identificou falhas graves nas apurações realizadas durante a ditadura.
Além disso, perícias recentes descartaram a hipótese de colisão com um ônibus, versão usada anteriormente pelas autoridades. Estudos técnicos também encontraram inconsistências nos laudos e ausência de exames importantes.
Contexto político reforça suspeitas
O relatório destaca ainda o cenário político da época. Após o golpe militar de 1964, os militares cassaram JK, mas ele continuou como uma das maiores lideranças políticas do Brasil.
Além disso, documentos ligados à Operation Condor citaram o nome do ex-presidente. A operação coordenava ações entre ditaduras da América do Sul para perseguir opositores políticos.
Por isso, a comissão entende que existem elementos suficientes para reconhecer oficialmente que a repressão política causou a morte de JK.
Certidão de óbito pode mudar
Caso os conselheiros aprovem o relatório, a comissão poderá solicitar a retificação da certidão de óbito de JK e também a de seu motorista.
Assim, os documentos passariam a registrar que agentes do Estado brasileiro provocaram as mortes.
Segundo integrantes da comissão, a medida busca garantir reparação histórica e ampliar o esclarecimento sobre crimes cometidos durante a ditadura militar.
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