Áudio de síndico revela conflito com corretora semanas antes do desaparecimento
Um áudio atribuído ao síndico de um condomínio em Caldas Novas revela que a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, havia sido impedida de atuar com locações no prédio onde residia, semanas antes de seu desaparecimento. A gravação foi enviada a uma proprietária de apartamento e tem como autor Cleber Rosa de Oliveira, que, segundo a Polícia Civil, confessou o homicídio da corretora.
No conteúdo do áudio, o síndico informa que a decisão era definitiva e que Daiane não teria mais qualquer acesso às atividades administrativas do condomínio. Ele afirma, ainda, que a recepção foi orientada a não prestar atendimento, não fornecer fichas nem auxiliar a corretora em nenhuma demanda relacionada às locações.

“Eu não vou voltar atrás dessa decisão minha, ela está proibida. A recepção não vai prestar serviço, atendimento a ela, não vai entregar ficha, não vai fazer nada. Então, a Daiane não pode mais trabalhar com administração de apartamentos aqui”, diz Cleber na gravação.
Apesar da restrição, o síndico afirmou que as reservas já realizadas seriam mantidas, com o objetivo de não prejudicar clientes e proprietários. No entanto, reforçou que, a partir daquele momento, Daiane estaria completamente afastada das rotinas do prédio.
Antes de desaparecer, a corretora chegou a relatar ameaças e ofensas à Justiça. Em um e-mail encaminhado ao 2º Juizado Especial Cível e Criminal de Caldas Novas, Daiane afirmou estar sendo alvo de agressões verbais, intimidações e violência psicológica, além de declarar temer pela própria vida, solicitando medidas de proteção.
Segundo o documento, os ataques partiam de Maicon, filho do síndico, que também atuava no ramo de locações no condomínio. Daiane relatou que as agressões tinham como objetivo retirá-la do trabalho, para que ele permanecesse como único responsável pelas locações no local.
No e-mail, a corretora descreveu ofensas de cunho misógino, humilhações, ataques à idade e à situação financeira, além de mencionar danos morais decorrentes da situação.
Desaparecimento e prisão
Daiane Alves Souza desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025, após ser vista pela última vez no subsolo do condomínio. Conforme as investigações, ela teria ido ao local para tentar resolver um problema de energia elétrica em seu apartamento, que estava sem luz.
Dias depois, o corpo da corretora foi localizado em uma área de mata no município de Ipameri, a cerca de 20 quilômetros de Caldas Novas, já em estado de ossada. De acordo com a Polícia Civil, Cleber Rosa indicou aos investigadores o local onde havia deixado o corpo após o crime.
O síndico foi preso e confessou o homicídio. O filho dele, Maicon, também foi detido, suspeito de obstrução das investigações. Um porteiro do condomínio foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos.
Denúncia anterior de agressão
Meses antes do desaparecimento, em maio de 2025, Daiane já havia registrado uma denúncia de lesão corporal contra o síndico. Segundo o relato, durante uma discussão relacionada à falta de água no prédio, ela teria sido atingida por um golpe de cotovelo, chegando a filmar o momento da agressão.
Na ocasião, Cleber negou a agressão e afirmou que teria ocorrido apenas um empurrão durante o desentendimento, o que teria derrubado o celular da corretora. A defesa dele não se manifestou sobre essa acusação.
A Polícia Civil continua apurando o caso, incluindo os conflitos internos no condomínio e as restrições impostas à vítima antes do crime.
