Hiperconexão e excesso de telas colocam cérebro em alerta constante e elevam ansiedade, diz especialista
O tempo excessivo diante de telas tem impactado não apenas a forma como as pessoas consomem informação, mas também o equilíbrio emocional e a saúde mental. A psicanalista e especialista em reprogramação mental Elainne Ourives afirma que a hiperconexão pode manter o cérebro em um estado permanente de alerta, favorecendo sintomas como ansiedade, cansaço mental e dificuldade de concentração.
“A mente humana não foi feita para estímulo contínuo. Ela precisa de pausas, silêncio e presença. Quando isso não acontece, o cérebro entra em um modo de vigilância constante, como se estivesse sempre sob ameaça”, explicou.
Dados sobre hábitos digitais ajudam a dimensionar o problema. Um levantamento da DataReportal aponta que o brasileiro passa, em média, mais de nove horas por dia conectado à internet, número que, segundo a especialista, ajuda a entender por que sintomas emocionais se tornaram tão frequentes.

“O corpo reage à sobrecarga digital como reage ao estresse contínuo. Há liberação de hormônios do estresse, queda de clareza mental e aumento da irritabilidade”, afirmou Elainne.
Redes sociais e comparação constante
A relação entre o uso intenso das redes sociais e a saúde mental também tem sido alvo de estudos. Pesquisas apontam associação entre tempo excessivo em plataformas digitais, comparação social constante e aumento de sintomas de ansiedade e burnout.
“Quando a pessoa vive se comparando, o cérebro entra em um ciclo de cobrança e insuficiência que desgasta emocionalmente”, disse a especialista.
Exaustão digital no trabalho
No ambiente profissional, o impacto tende a ser ainda maior. Relatórios internacionais indicam que muitos trabalhadores checam o celular com frequência durante o expediente e relatam sensação de exaustão mental ao fim do dia.
“É como se o descanso nunca chegasse. Mesmo fora do horário de trabalho, a mente continua em alerta”, observou Elainne.
Ela reforça que o problema não é a tecnologia em si, mas a forma como ela passou a ser usada no cotidiano. “O risco começa quando a pessoa deixa de escolher quando se conectar e passa a reagir automaticamente a estímulos. Nesse ponto, a mente deixa de criar e passa apenas a responder”, avaliou.
Prejuízos no foco e na aprendizagem
O debate também já chegou às escolas e ambientes educacionais. Pesquisas citadas por especialistas apontam que o uso prolongado de telas pode reduzir significativamente a capacidade de foco e aprendizagem entre crianças e adolescentes, além de aumentar a dificuldade de concentração em tarefas mais longas.
No cenário internacional, organismos discutem diretrizes para limitar o uso indiscriminado de tecnologias digitais em contextos educacionais, com foco no bem-estar emocional.
Como recuperar o equilíbrio
Para Elainne Ourives, recuperar o equilíbrio mental passa por atitudes simples e consistentes no dia a dia, como reduzir notificações, criar pausas digitais e fortalecer o contato humano.
“Presença não é luxo, é necessidade emocional”, afirmou. Ela também recomenda práticas como respiração consciente, momentos de silêncio e contato com a natureza para ajudar o cérebro a sair do estado de alerta constante.
“O desafio do nosso tempo não é se desconectar da tecnologia, mas reaprender a estar presente. A verdadeira inteligência não é a que responde mais rápido, é a que consegue manter equilíbrio emocional”, concluiu.
