Amiga de jovem desaparecido em trilha diz que errou ao deixá-lo para trás; caso repercute nas redes
A jovem Thayane Smith afirmou que errou ao deixar o amigo Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, durante uma trilha no Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. O jovem está desaparecido desde a manhã de quinta-feira (1º), e as buscas seguem em andamento.
Em entrevista à RIC Record Paraná, Thayane disse que conversou com a família de Roberto e reconheceu a falha na decisão tomada durante o percurso.

“Esse foi meu erro. Conversei com a família e assumo que errei em deixá-lo seguir sem mim, mas ele não estava sozinho. Tinham outras pessoas com ele e não havia como se perder. Não sei o que aconteceu”, declarou.
Questionada sobre o que pode ser feito neste momento, a jovem afirmou que resta aguardar o trabalho das equipes de resgate. “Agora é manter o equilíbrio e esperar os bombeiros darem o resultado final. Não podemos fazer nada além disso”, disse.
Repercussão nas redes sociais
O caso ganhou grande repercussão também pela postura de Thayane nas redes sociais após o desaparecimento do amigo. Quando as buscas já haviam sido iniciadas, ela publicou uma mensagem afirmando que havia sido um aprendizado e que não voltaria a fazer trilhas com pessoas sem experiência ou preparo físico.
Em outra publicação, escreveu: “Interrogações, investigações, eita 2026 kkkkk. Feliz Ano Novo”, acompanhada de um emoji de risada. As postagens geraram críticas e questionamentos por parte de internautas.
Desde o início da trilha, Thayane vinha publicando vídeos sobre o trajeto, a paisagem e a experiência. Após o desaparecimento de Roberto, esses registros passaram a circular amplamente nas redes. Em algumas postagens, ela afirmou que irá contar a “história completa” após o encerramento das buscas, descrevendo a subida como marcada por “vistas lindas” e o “nascer do sol do maior pico do Sul do Brasil”.
Relatos da trilha
Nos vídeos divulgados, Thayane aparece ao lado de Roberto e de outras pessoas ainda durante o deslocamento, inclusive em um ônibus. Em um dos registros, comenta que o grupo pretendia passar a virada do ano acampado na montanha.
Já no dia 1º de janeiro, ela relatou dificuldades no percurso. “Disseram que eram cinco ou seis horas de caminhada. Depois de quatro horas, ainda estávamos só na metade”, afirmou em um dos vídeos.
Apelo da família e investigações
Com a repercussão do caso, surgiram comentários com suposições e acusações nas redes sociais. A família de Roberto pediu cautela e reforçou que as investigações são responsabilidade das autoridades.
Em uma publicação, Raul Farias Batista, primo do jovem, pediu que a amiga não seja alvo de julgamentos. “A Polícia Civil está investigando e confiamos no trabalho deles. Temos fortes motivos para acreditar que o Betinho está apenas perdido e com vida na mata”, escreveu.
Os familiares criaram uma página oficial para centralizar informações sobre o desaparecimento, que já ultrapassa 250 mil seguidores. Eles também alertaram para o surgimento de perfis falsos, informações inverídicas e possíveis golpes financeiros, pedindo que denúncias sejam feitas contra pedidos de doações ou transferências em nome de Roberto.
Segundo a família, um advogado foi contratado para adotar medidas legais cabíveis. Em outra publicação, os parentes reforçaram que as buscas continuam e pediram apoio de montanhistas experientes.
“As buscas seguem ativas. Temos fé de encontrá-lo. As equipes do GOST e do COSMO estão ajudando, mas a região é extensa, de difícil acesso e visibilidade”, diz o comunicado.
Nas redes sociais, Roberto se descreve como técnico de segurança do trabalho, bombeiro civil, socorrista resgatista, consultor financeiro de investimentos e instrutor de NR-11.
O que diz a Polícia Civil
Em nota, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou que policiais estiveram no local no sábado (3) e realizaram oitivas com familiares e outras pessoas que participaram da trilha.
“As diligências continuam, com análise das informações e coleta de elementos para esclarecer as circunstâncias do desaparecimento. Até o momento, o caso é tratado como desaparecimento, sem indícios de crime”, informou a corporação.
As buscas pelo jovem seguem nesta segunda-feira (5), com atuação do Corpo de Bombeiros.
