Empresário conservador Nasry Asfura vence eleição em Honduras com apoio de Trump
O empresário de direita Nasry Asfura, conhecido como “Tito”, foi confirmado nesta quarta-feira (24) como presidente eleito de Honduras, marcando o retorno do Partido Nacional (PN) ao poder. A vitória ocorre em meio a forte apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou Asfura como um aliado estratégico no combate ao que chamou de “narco-comunistas” na América Central.
Asfura venceu por uma margem inferior a um ponto percentual o candidato Salvador Nasralla, do Partido Liberal, após uma apuração considerada tensa das eleições realizadas em 30 de novembro. Ele assumirá o cargo em 27 de janeiro, quatro anos depois de ter sido derrotado pela atual presidente de esquerda, Xiomara Castro.
Durante a campanha, Trump pressionou publicamente o eleitorado hondurenho, ameaçando cortar ajuda financeira ao país — um dos mais pobres da América Latina — caso Asfura não fosse eleito. Poucos dias antes da votação, o republicano chegou a afirmar que o empresário era o “único verdadeiro amigo da liberdade em Honduras”. Após o pleito, Asfura agradeceu o apoio e destacou a importância da relação com os EUA, onde vivem cerca de dois milhões de hondurenhos.

O novo presidente carrega o estigma de pertencer ao mesmo partido do ex-presidente Juan Orlando Hernández, condenado nos Estados Unidos por narcotráfico. Hernández foi recentemente beneficiado por um indulto concedido por Trump. Asfura, no entanto, tenta se desvincular do aliado, afirmando que lidera um Partido Nacional “renovado” e que “cada um responde por seus próprios atos”.
Trajetória política e acusações
Filho de imigrantes palestinos, Nasry Asfura nasceu em Tegucigalpa, onde foi prefeito por dois mandatos consecutivos, entre 2014 e 2022. À frente da capital, ficou conhecido por grandes obras de infraestrutura, como túneis e viadutos, voltadas à mobilidade urbana.
Engenheiro civil de formação incompleta, Asfura construiu uma carreira empresarial sólida no setor de construção. No entanto, sua trajetória política é marcada por suspeitas de corrupção. Ele chegou a ser acusado de desvio de recursos públicos municipais, mas o Supremo Tribunal decidiu não levar o caso a julgamento. Também foi citado nos Pandora Papers, por manter empresas offshore no Panamá, acusação que sempre negou.
Durante a campanha, Asfura prometeu investimentos em infraestrutura, geração de empregos e atração de capital estrangeiro. Também sinalizou uma possível reaproximação diplomática com Taiwan, após Honduras ter rompido relações com a ilha e reconhecido a China em 2023, sob o governo de Xiomara Castro.
Perfil pessoal
Descrito por aliados como um homem reservado e pragmático, Asfura evita discursos longos e prefere o lema “trabalho e mais trabalho”. É casado com Lissette del Cid, pai de três filhas e avô de três netos. Apesar de avesso à tecnologia, utiliza um iPhone cujo papel de parede é a imagem do Sagrado Coração de Jesus, refletindo seu perfil religioso.
