Funcionárias são indiciadas por morte de estudante após agressão em escola municipal de Ibatiba (ES)
Um ano após a morte de um estudante de 10 anos, agredido dentro de uma escola municipal de Ibatiba (ES), três funcionárias foram indiciadas por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A criança morreu em decorrência de sepse generalizada, segundo a Polícia Civil.
De acordo com a investigação, houve negligência por parte das servidoras, sendo duas da área da Saúde e uma da Educação. A apuração também apontou que a escola não comunicou a família sobre a agressão ocorrida dentro da unidade de ensino. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Espírito Santo (ES).

A Polícia Civil analisou imagens de câmeras de segurança, documentos médicos e depoimentos de servidores municipais e demais envolvidos. Conforme o relatório, após relatar dores, a criança foi levada três vezes ao pronto-socorro de Ibatiba (ES). Nas duas primeiras, recebeu medicação e foi liberada. Somente na terceira visita, após insistência da família, exames de imagem identificaram fraturas nas vértebras da coluna.
O estudante foi transferido para um hospital em Vitória (ES), onde morreu no dia seguinte, em decorrência de infecção generalizada, falência de múltiplos órgãos, pneumonia, problemas renais e alterações no sangue.
O inquérito também destacou que, antes da agressão, o menino já apresentava histórico de saúde que exigia atenção, como convulsões, anemia e crises de choro. Ele ainda era alvo de bullying por causa de uma mancha no olho.
Segundo a cronologia da polícia, no dia da agressão, a criança se envolveu em uma briga com outros dois alunos por volta do meio-dia. Mesmo sem lesões aparentes, apresentou sonolência e abatimento nas aulas seguintes. Ainda assim, não houve comunicação à família, e ele permaneceu na escola até o fim do turno, sendo liberado para voltar para casa sem acompanhamento.
À noite, começaram as queixas de dores intensas nas costas, o que motivou as idas ao pronto-socorro. O caso só foi comunicado ao Conselho Tutelar após a transferência para a capital.
Em nota, a Prefeitura de Ibatiba (ES) informou que realiza palestras sobre bullying e mantém comunicação com estudantes e familiares sobre regras de convivência. O Ministério Público do Espírito Santo (ES) afirmou que adotará as medidas cabíveis após a análise completa do inquérito policial.
