Ministro da Saúde diz que canetas emagrecedoras podem ser incluídas no SUS
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (7) que medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” podem vir a ser incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) desde que haja evidências científicas que comprovem seus benefícios para a população. A declaração foi dada durante entrevista a jornalistas no Rio de Janeiro, onde o ministro participa da reunião de cúpula dos Brics.
Padilha destacou o papel da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) na avaliação de novas terapias. “Tudo que tiver evidências científicas que vão se consolidando, existe uma Comissão Nacional de Incorporação, que é a Conitec, que analisa essa evidência. Se tiver evidência científica, mostrar que um determinado produto tem benefícios para a população, o SUS pode incorporar”, afirmou o ministro.
Os medicamentos em questão — inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy — têm sido amplamente utilizados também para redução de peso, o que levou a um aumento no consumo por pacientes sem indicação clínica de obesidade ou sobrepeso. Especialistas vêm alertando para riscos associados ao uso indiscriminado, como efeitos colaterais e desabastecimento para quem necessita do remédio para controle glicêmico.
Em resposta ao cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adotou medida de controle mais rigoroso sobre a prescrição dessas injeções, determinando que as receitas sejam retidas em farmácias e drogarias no ato da compra, procedimento semelhante ao aplicado a antibióticos. A norma entrou em vigor na semana passada e tem como objetivo coibir a automedicação e o uso inadequado dos produtos.
A possível incorporação ao SUS dependerá, portanto, de avaliações técnicas e científicas que comprovem eficácia, segurança e custo-efetividade desses medicamentos no tratamento da obesidade no contexto do sistema público. A decisão final caberá à Conitec, que analisa evidências clínicas, impactos orçamentários e diretrizes para uso racional.
