Custo da energia deve subir em 2026 para bancar R$ 47,8 bilhões em subsídios da CDE
O custo da energia elétrica para consumidores brasileiros deve aumentar em 2026 para financiar R$ 47,8 bilhões em subsídios incluídos no orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), informou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O montante faz parte do valor total projetado de R$ 52,6 bilhões para o próximo ano, segundo um cálculo técnico que será apreciado pela diretoria do órgão regulador nesta terça-feira (8).
A previsão, divulgada inicialmente pela Folha de S. Paulo e confirmada à Gazeta do Povo pela Aneel, aponta para um incremento de cerca de 7% em relação ao montante previsto para 2025. Especialistas e autoridades do setor alertam que o aumento deve refletir diretamente nas contas de luz das famílias e empresas, potencialmente pressionando a inflação em um ano marcado por eleições.
A CDE é um fundo criado para financiar políticas públicas do setor elétrico, como subsídios a tarifas sociais, programas de universalização e compensações a geradores. Embora parte dos recursos venha do Orçamento da União e de receitas privadas, a maior parcela do financiamento recai sobre os consumidores por meio de tarifas de energia.
Nos últimos anos, os valores vinculados à CDE cresceram de forma significativa. Em 2020 o fundo somava menos de R$ 22 bilhões; subiu para R$ 37 bilhões em 2024 e alcançou R$ 49,3 bilhões em 2025. Para tentar frear essa trajetória, o governo aprovou uma lei que estabelece um teto de gastos para a CDE a partir de 2027, medida que busca limitar o repasse direto ao consumidor, mas que não evita o impacto imediato esperado para 2026.
A decisão da diretoria da Aneel sobre o cálculo será acompanhada por agentes do setor, órgãos de defesa do consumidor e integrantes do governo, que monitoram os desdobramentos em um cenário de custos energéticos elevados e incertezas econômicas.
