Cabeleireiro encontrado amarrado e morto pode ter sido estrangulado e asfixiado, aponta laudo preliminar
O cabeleireiro José Roberto Silveira, de 59 anos, conhecido como Betto Silveira, encontrado morto e amarrado dentro de casa na Zona Oeste de São Paulo, pode ter sido estrangulado e asfixiado, segundo um laudo preliminar da Polícia Técnico-Científica. O corpo foi localizado no último sábado (22), no bairro Alto de Pinheiros.
Exames complementares ainda estão sendo realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) para definir a causa exata da morte.
O caso é investigado como homicídio pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Até a última atualização desta reportagem, nenhum suspeito havia sido preso.

Dois homens são suspeitos
A Polícia Civil analisa imagens de câmeras de segurança que mostram dois homens deixando a residência da vítima na madrugada do crime. Eles são, por enquanto, os únicos suspeitos de envolvimento. A polícia também apura a motivação.
De acordo com a delegada Ivalda Aleixo, diretora do DHPP, ao menos duas pessoas podem ter participado diretamente do assassinato.
“Tudo indica que foi um homicídio. Pode ter sido praticado por mais de uma pessoa. Temos suspeitos, mas não há definição sobre autoria”, afirmou.
Corpo foi achado amarrado no quarto
O corpo foi encontrado por um sócio e por uma prima de Betto, que acionaram a polícia após ele não responder mensagens e ligações. Betto estava de joelhos, sem roupas, com sinais de asfixia e agressões, ao lado da cama.
Segundo a Polícia Militar, a vítima estava amarrada com fios de telefone nos punhos e joelhos. Uma das hipóteses dos peritos é que a mesma fiação possa ter sido usada no pescoço para estrangulamento.
A boca de Betto estava amordaçada com uma toalha presa por um fio branco, semelhante ao de carregador. Havia ainda equimoses nos braços, ombros, nariz e uma marca compatível com mordida no braço direito.
Faca na pia e sangue no quarto
Os investigadores também encontraram uma faca na pia do banheiro. O objeto não estava ensanguentado, mas havia sangue no travesseiro e no lençol. A princípio, a vítima não foi esfaqueada.
Os materiais coletados na casa passam por análise pericial.
A mãe de Betto, de 98 anos, e dois inquilinos que vivem nos fundos da casa foram ouvidos. Todos afirmaram não ter percebido movimentação suspeita.
Um dos locatários relatou que, na madrugada, Betto bateu em sua porta pedindo uma folha de seda e uma toalha, o que o fez acreditar que ele estava acompanhado.
Possível motivação
A polícia investiga a vida pessoal de Betto. Após romper um relacionamento há cerca de dois meses, um ex-namorado chegou a registrar queixa contra ele. Betto também teria conhecido outros homens em um aplicativo após o término.
Uma vizinha relatou ter ouvido vozes e o portão sendo aberto durante a madrugada, mas não imaginou que se tratava de violência.
O carro alugado utilizado pela vítima foi apreendido e periciado.

Quem era Betto Silveira?
Natural de Garça (SP), Betto vivia em São Paulo havia cerca de 30 anos. Era cabeleireiro conhecido na região de Pinheiros e mantinha seu salão no andar térreo da casa onde morava. Também cuidava da mãe idosa.
Segundo amigos, Betto era muito sociável e gostava de receber pessoas em casa.
“Ele cuidava muito da mãe. Ele tinha quatro pugs. Era carinhoso e gostava de animais”, disse o amigo Thiago Souza à TV Globo.
