Servidores suspeitos de atrapalhar investigação da PF são exonerados de cargos no Tocantins
Dois servidores do governo do Tocantins foram exonerados nesta quarta-feira (12) após serem alvos de buscas da Operação Nêmeses, conduzida pela Polícia Federal. Os exonerados são A.P.N e A.R.A, com atos assinados pela secretária-chefe da Casa Civil.
A operação investiga suposto embaraço às investigações sobre desvios de recursos públicos na compra de cestas básicas durante a pandemia. Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em Palmas e Santa Tereza do Tocantins, autorizados pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell.

A.R.A, concursado como analista de Tecnologia da Informação, atuava como assessor na Secretaria de Participações e Investimentos, com salário de R$ 34 mil. A Polícia Federal suspeita que ele seria informante do advogado Thomas Jefferson, ex-secretário de Parcerias e Investimentos, e teria alertado o então governador afastado Wanderlei Barbosa sobre os mandados de busca.
A.P.N, servidor municipal cedido ao governo estadual, estava lotado na Secretaria Executiva do governador, com vencimentos de pouco mais de R$ 6,3 mil. A PF investiga incompatibilidade entre seu patrimônio e a remuneração, além de supostas negociações com familiares de Wanderlei, atuando como “pessoa interposta” e ajudando a retirar documentos da residência da sogra do governador.
A Operação Nêmeses deu sequência às investigações da 2ª fase da Operação Fames-19, que afastou Wanderlei Barbosa e a primeira-dama, Karynne Sotero Campos, em setembro, por suspeita de desvios de recursos públicos durante a pandemia. Segundo a PF, investigados podem ter utilizado cargos e veículos oficiais para atrapalhar as apurações. O caso ainda corre sob sigilo na Corte Especial do STJ.
A assessoria de Wanderlei afirmou que celulares foram apreendidos durante as buscas e que, no momento, não vai se manifestar. As investigações incluem crimes de peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, frustração de licitação e formação de organização criminosa.
