De empregada doméstica a tenente da PM: tocantinense vence desafios e realiza sonho

A tocantinense Lusinete Bispo Araújo transformou uma infância marcada pelo trabalho precoce em uma trajetória de conquistas. Após anos como empregada doméstica, ela estudou, passou em concurso público e hoje ocupa o posto de 1ª tenente da Polícia Militar do Tocantins.
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A história da 1ª tenente Lusinete Bispo Araújo, de 50 anos, é um exemplo de perseverança. Natural de Almas, no sudeste do Tocantins, ela trabalhou como babá e empregada doméstica durante mais de uma década antes de conquistar uma vaga na Polícia Militar do Tocantins (PMTO).
Hoje, após 25 anos de carreira, Lusinete ocupa o posto de oficial da corporação e afirma que a dedicação aos estudos mudou completamente sua vida.
Trabalho começou na infância
Lusinete começou a trabalhar aos 12 anos como babá. Na época, ela era a filha mais velha de sete irmãos e precisou ajudar a mãe, que sustentava a família após a separação dos pais.
“Comecei como babá e depois fui para o serviço de doméstica. Como sou a filha mais velha de uma prole de sete irmãos, tinha que ajudar minha mãe de alguma forma. Essa situação acabou me impulsionando a sair daquele ponto e partir para um ainda mais longe”, relembrou.
Mudança para Brasília
Aos 17 anos, Lusinete decidiu buscar novas oportunidades e se mudou sozinha para Brasília.
Durante seis anos, trabalhou como empregada doméstica. Ao mesmo tempo, frequentava a escola à noite para concluir o ensino fundamental e o ensino médio.
Depois disso, retornou ao Tocantins determinada a conquistar estabilidade por meio de um concurso público.
Estudos abriram caminho para a aprovação
Já em Palmas, Lusinete conciliava trabalho e estudos.
Ela dedicava as noites aos livros e aproveitava os finais de semana para frequentar cursinhos preparatórios.
“Decidi que precisaria passar em um concurso público para garantir minha estabilidade. Fiz um cursinho nos finais de semana e estudava sozinha em casa. Estudava à noite e, nos finais de semana, na folga do trabalho, intensificava os estudos”, contou.
Como resultado, em 2001, aos 26 anos, conquistou a aprovação no concurso da Polícia Militar do Tocantins.
“Sempre busquei algo melhor porque não queria ficar nesse trabalho o tempo todo”, afirmou.
Conquista da patente de tenente
Ao longo de mais de duas décadas na corporação, Lusinete construiu uma carreira sólida.
Em abril deste ano, ela alcançou um novo marco profissional ao conquistar o posto de oficial da PMTO.
Atualmente, atua como 1ª tenente da corporação.
“Trabalhei como doméstica por muitos anos da minha vida e só deixei essa profissão depois que ingressei no concurso da Polícia Militar”, disse.
História representa mobilidade social
Segundo a socióloga Solange Nascimento, a trajetória de Lusinete também reflete mudanças importantes na sociedade brasileira.
De acordo com a especialista, o trabalho doméstico ainda carrega marcas históricas ligadas ao período escravagista.
Ela destacou, porém, que políticas públicas de acesso às universidades e cotas no serviço público têm ampliado as oportunidades para mulheres negras, indígenas e quilombolas.
“Atualmente, nós temos políticas públicas de acesso e permanência nas universidades para mulheres negras, indígenas e quilombolas, e essas políticas possibilitam que haja uma mobilidade social”, explicou.
Além disso, a socióloga ressaltou que as cotas em concursos públicos ajudam a ampliar o acesso dessas mulheres ao mercado de trabalho e à ascensão profissional.
A trajetória de Lusinete mostra que dedicação, estudo e persistência podem transformar vidas. Por isso, sua história inspira outras pessoas que sonham em conquistar estabilidade e crescer por meio da educação e do serviço público.
