Ex-diretor da Cultura é investigado após vídeo de tatuagem em patrimônio histórico
O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) instaurou um inquérito civil para investigar a conduta de Anderson Luis Reis Augusto, ex-diretor da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Semcult), após a divulgação de um vídeo que o mostra sem camisa e fazendo uma tatuagem dentro do Palacete Bolonha, um dos principais patrimônios históricos de Belém.
As imagens, que circularam amplamente nas redes sociais, mostram Anderson acompanhado de um tatuador durante o procedimento realizado nas dependências do Museu Casa Francisco Bolonha — espaço tombado e destinado a atividades de caráter cultural e educativo. A repercussão levou à exoneração imediata do servidor.

De acordo com o MPPA, a sessão de tatuagem teve finalidade pessoal, sem qualquer justificativa institucional. O órgão destacou ainda que o uso indevido de bens públicos de valor histórico pode comprometer o vínculo simbólico e afetivo da população com seu patrimônio, mesmo quando não há danos materiais diretos.
O inquérito foi aberto com base em deliberação do Conselho Superior do Ministério Público e busca apurar responsabilidades e assegurar a preservação do patrimônio cultural envolvido.
A Prefeitura de Belém confirmou a exoneração do ex-diretor e emitiu nota de repúdio ao episódio.
“A decisão foi tomada após a constatação do uso indevido das dependências e do mobiliário do Museu. A Prefeitura de Belém repudia qualquer conduta incompatível com o serviço público”, diz o comunicado oficial.
A exoneração foi formalizada na edição do Diário Oficial do Município do dia 22 de outubro.
Em resposta, o tatuador Dan Quixote afirmou, também por meio de nota, que a sessão fazia parte de sua série autoral “Tatuagens por Belém”, cujo objetivo seria valorizar espaços históricos da capital paraense. Segundo ele, a ação teve caráter artístico e cultural, sem finalidade publicitária ou de promoção pessoal.
O artista declarou ainda que o projeto foi apresentado previamente à direção do Palacete Bolonha, recebendo autorização do então diretor, e que não houve pagamento ou uso de recursos públicos.
A nota acrescenta que todos os protocolos de biossegurança foram respeitados e que o espaço foi devolvido nas mesmas condições em que foi encontrado, sem qualquer dano ao acervo.
