Vou pagar imposto de renda? O que acontece com as mudanças no Brasil?
O Brasil pode estar prestes a viver uma transformação significativa no sistema tributário com a aprovação do BIR 2025, projeto que altera as regras do Imposto de Renda. A principal novidade é a ampliação da faixa de isenção para todos os contribuintes que recebem até R$ 5 mil mensais. Caso seja confirmada pelo Congresso Nacional, a mudança deve beneficiar a maioria dos declarantes já a partir de 2026.
Embora represente um alívio para milhões de trabalhadores, a medida não elimina a cobrança para todos. Parte da classe média seguirá na base tributária, e os contribuintes com maiores rendimentos terão aumento na carga, em uma tentativa de tornar o sistema mais progressivo.
O que muda com o BIR 2025
O texto aprovado pela Câmara dos Deputados foi relatado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL) e segue agora para análise no Senado. A proposta inverte a lógica atual: em vez da maioria pagar o Imposto de Renda, a maioria passará a ser isenta.
Com a defasagem acumulada da tabela do IR, milhões de trabalhadores que ganham relativamente pouco acabaram sendo incluídos no grupo de contribuintes nos últimos anos. A ampliação da faixa de isenção busca corrigir essa distorção.
Segundo estimativas, dos 45,7 milhões de declarantes em 2025 (referentes ao ano-base 2024), cerca de 65% deixarão de pagar o tributo caso a nova regra seja aprovada.
Quem ficará isento do Imposto de Renda
Com a mudança, todos os brasileiros com rendimentos de até R$ 5 mil por mês estarão automaticamente isentos. Isso significa que não haverá desconto na fonte nem necessidade de recolhimento complementar.
Atualmente, apenas 21,2% dos contribuintes estão isentos, enquanto 77,8% pagam. A proposta do BIR 2025 reverte esse cenário, colocando a maior parte dos trabalhadores fora da base de cobrança.
Quem continuará pagando o Imposto de Renda
Apesar do alívio para milhões de brasileiros, parte da classe média seguirá pagando o tributo. Estima-se que 34% dos contribuintes continuarão recolhendo o Imposto de Renda, já que seus rendimentos ultrapassam o limite da isenção.
Os mais ricos também enfrentarão mudanças importantes. Cerca de 1% da população com maiores rendimentos passará a arcar com uma tributação mais pesada, compensando parte da arrecadação perdida com a ampliação da faixa de isenção.
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Como será feita a compensação da arrecadação
O governo prevê medidas específicas para equilibrar as contas públicas:
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A partir de 2027, haverá uma alíquota mínima de 10% sobre rendimentos anuais acima de R$ 600 mil.
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Lucros e dividendos acima de R$ 50 mil mensais terão retenção de 10% na fonte.
Essas medidas atingem diretamente uma pequena parcela da população, mas são fundamentais para sustentar a renúncia fiscal e evitar perdas na arrecadação da União.
A defasagem da tabela do IR
Um dos pontos centrais do debate é a defasagem da tabela do Imposto de Renda, que não é atualizada desde 2015. O congelamento fez com que milhões de brasileiros de baixa e média renda fossem obrigados a contribuir, mesmo com salários que não acompanharam a inflação.
O BIR 2025 prevê que o Executivo terá até um ano, após a aprovação, para apresentar ao Congresso uma política nacional de atualização periódica da tabela, evitando que a distorção volte a se repetir nos próximos anos.
Efeitos para estados e municípios
A ampliação da isenção no Imposto de Renda também gera preocupação para estados e municípios, que recebem parte da arrecadação. Para evitar desequilíbrios, o projeto prevê repasses trimestrais da União sempre que houver queda significativa nas receitas locais, garantindo estabilidade nas contas públicas regionais.
O que esperar do Senado
O projeto segue agora para análise no Senado Federal. Embora a expectativa seja de aprovação, especialistas apontam que ajustes podem ser feitos, principalmente em pontos polêmicos como a tributação sobre lucros e dividendos.
Se o texto for aprovado sem alterações, a nova tabela do Imposto de Renda entrará em vigor em 2026. Já as medidas de tributação sobre grandes fortunas e dividendos só começarão a valer em 2027.
O BIR 2025 representa uma mudança histórica no Imposto de Renda brasileiro. A ampliação da faixa de isenção para rendimentos de até R$ 5 mil deve beneficiar cerca de 65% dos contribuintes, aliviando especialmente os trabalhadores de baixa e média renda.
Por outro lado, parte da classe média continuará pagando, e os mais ricos passarão a ser os principais responsáveis por sustentar a arrecadação. Com uma estrutura mais progressiva e justa, o projeto busca corrigir distorções históricas e criar um sistema de tributação mais equilibrado no país.
