EUA entram em shutdown após impasse no Congresso; Trump endurece discurso contra democratas
Os Estados Unidos enfrentam, a partir desta quarta-feira (1º), a primeira paralisação do governo desde 2019. O “shutdown” foi decretado após o Congresso não aprovar um orçamento provisório para manter o financiamento federal. Com isso, centenas de milhares de servidores serão afastados temporariamente ou trabalharão sem salário até que haja acordo.
O impasse gira em torno dos gastos com saúde. Os democratas condicionam a aprovação à prorrogação de programas de assistência médica que estão prestes a expirar. Segundo o partido, sem essa extensão, 24 milhões de americanos terão custos mais altos em seus planos, especialmente em estados governados por republicanos como Flórida e Texas.
Já os republicanos, liderados por Donald Trump, defendem que a questão da saúde seja tratada em separado e acusam os democratas de usar o orçamento como moeda de troca política às vésperas das eleições legislativas de 2026. Na noite de terça-feira (30), o Senado tentou votar duas propostas, mas ambas fracassaram.

A Casa Branca classificou a crise como “shutdown democrata”. O próprio Trump endureceu o discurso e afirmou que pode demitir servidores federais e encerrar programas ligados ao partido adversário durante a paralisação. “Vamos demitir muita gente. E eles serão democratas”, declarou.
Impactos imediatos
– Servidores públicos: milhares em licença não remunerada; funções essenciais seguem sem pagamento imediato.
– Aviação e turismo: 11 mil funcionários da FAA afastados; atrasos em voos e suspensão em parques nacionais e museus.
– Serviços à população: pagamentos de aposentadorias e invalidez mantidos; assistência alimentar pode ser limitada.
– Defesa: metade dos 742 mil civis do Pentágono afastada; 2 milhões de militares seguem ativos.
– Economia: prejuízos de até US$ 400 milhões por semana; cada semana de shutdown pode reduzir o PIB em 0,2 ponto percentual.
A última paralisação havia ocorrido entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, também sob Trump, e durou 35 dias. O custo estimado foi de US$ 3 bilhões. Agora, com eleições legislativas se aproximando, democratas e republicanos trocam acusações, enquanto milhões de americanos enfrentam atrasos e cortes em serviços públicos.
