A bomba-relógio fiscal dos EUA que está fazendo o dólar derreter no mundo
A segunda-feira começou com o dólar em alta diante do real, mas a moeda americana perdeu força ao longo do dia, refletindo preocupações fiscais nos Estados Unidos. Com o encerramento do ano fiscal marcado para esta terça-feira, investidores acompanham de perto as negociações em Washington para evitar um novo shutdown, a paralisação temporária do governo federal por falta de acordo orçamentário.
Essa incerteza fez os rendimentos dos Treasuries recuarem, ampliando a cautela no mercado internacional. A percepção é de que os EUA vivem um impasse fiscal que, somado às falas recentes de dirigentes do Federal Reserve (Fed), mantém em aberto a possibilidade de cortes de juros ainda neste ano. O resultado imediato foi uma desvalorização global do dólar, que abriu espaço para moedas emergentes, incluindo o real.
No Brasil, a sessão coincidiu com a véspera de definição da última taxa Ptax de setembro, o que também influenciou o comportamento do câmbio. Enquanto isso, investidores repercutem as agendas econômica e política, em meio às expectativas de diálogo entre Lula e Donald Trump sobre tarifas comerciais e ao avanço das reformas tributárias no Congresso.

Crise fiscal nos EUA pressiona confiança e juros futuros
O risco fiscal americano tem sido tratado como uma verdadeira bomba-relógio pelos analistas. Caso o Congresso não aprove uma nova lei orçamentária, o governo entrará em shutdown, afetando serviços públicos, salários de servidores e a confiança dos mercados. Esse cenário, mesmo que temporário, poderia abalar ainda mais a imagem da maior economia do mundo.
Enquanto isso, o presidente Donald Trump segue defendendo tarifas comerciais elevadas, alegando que elas são fundamentais para preservar empregos e garantir liderança em setores estratégicos, como inteligência artificial. A política, no entanto, gera tensões adicionais no comércio internacional e amplia a volatilidade do dólar. Empresas já sinalizam a transferência de parte da produção de países como China e México para os EUA, o que pode mexer nas cadeias globais de valor.
No campo monetário, a leitura é de que o Fed deve optar por cautela diante das incertezas fiscais. O mercado aposta em possíveis cortes de juros ainda em 2025, movimento que reduziria a atratividade da moeda americana. Esse ambiente ajuda a explicar por que o dólar, mesmo partindo em alta, acabou caindo ao longo do dia frente ao real e outras divisas.
Reflexos no Brasil: reformas, crédito e confiança
A oscilação do dólar ocorre em um momento importante para a economia brasileira. O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, reafirmou estar otimista sobre um encontro entre Lula e Trump que poderia reduzir o tarifaço sobre produtos nacionais. Uma diminuição das alíquotas de até 50% seria um alívio para exportadores brasileiros, especialmente nos setores mais afetados pela política americana.
Do lado interno, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que a discussão sobre a isenção do imposto de renda para salários de até R$ 5 mil já está madura no Congresso. Segundo ele, a semana deve marcar votações importantes tanto na reforma da renda quanto na reforma do consumo, sinalizando avanços na agenda econômica.
Indicadores recentes também mostraram melhora moderada na confiança de comércio e serviços, interrompendo quedas consecutivas. Ainda assim, o crédito livre dos bancos apresentou retração de 3,3% em agosto, refletindo a Selic elevada e a cautela do sistema financeiro. Em meio a um dólar pressionado lá fora e reformas em andamento aqui dentro, o Brasil segue navegando em um cenário de incerteza, mas com sinais pontuais de avanço.
