Dólar respira por aparelhos e fecha a semana em queda pela 3ª vez seguida
O mercado de câmbio encerrou a sexta-feira (19) com o dólar praticamente estável em relação ao real, mas confirmando a terceira semana consecutiva de desvalorização. A divisa norte-americana registrou leve alta de 0,02% no dia, cotada a R$ 5,3205, em um pregão marcado pela ausência de grandes indicadores econômicos no Brasil e no exterior. Mesmo assim, o desempenho semanal ficou negativo, acumulando baixa de 0,62%.
No acumulado do ano, a moeda já soma uma queda de 13,89%, reflexo de um cenário internacional mais favorável às moedas emergentes e de expectativas positivas em relação à política monetária brasileira. Às 17h05, na B3, o contrato futuro de dólar para outubro, o mais negociado no momento, registrava alta de 0,23%, cotado a R$ 5,3320.
Na cotação paralela, o dólar turismo encerrou o dia sendo negociado a R$ 5,358 na compra e R$ 5,538 na venda. Os números refletem um ambiente cambial menos pressionado, embora o mercado siga atento às incertezas políticas internas e às movimentações externas que podem influenciar o câmbio nas próximas semanas.

Fatores externos influenciam comportamento da moeda
O movimento do dólar no Brasil acompanhou o comportamento global da moeda, que apresentou valorização frente a várias divisas internacionais. Investidores monitoraram principalmente as expectativas em torno da divulgação das taxas de referência da China (LPRs) e o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, marcado por discussões comerciais e pelo impasse envolvendo a plataforma TikTok.
Apesar do fortalecimento da moeda norte-americana no exterior, o real conseguiu manter desempenho positivo no balanço semanal. Analistas destacam que a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), considerada “hawkish”, ajudou a sustentar a moeda brasileira. A Selic foi mantida em 15%, com sinalização de estabilidade prolongada, o que reforça o atrativo para investidores estrangeiros em busca de rendimento.
O Itaú Unibanco revisou sua projeção para o câmbio ao final de 2025, reduzindo a estimativa de R$ 5,50 para R$ 5,35. Para 2026, a expectativa de R$ 5,50 foi mantida. O banco justificou a revisão pelo cenário internacional mais benigno, com enfraquecimento do dólar globalmente e perspectivas de manutenção de fluxos positivos para mercados emergentes como o Brasil.
Incertezas políticas e atuação do Banco Central marcam cenário interno
No plano doméstico, a tramitação da PEC da Blindagem e do projeto de anistia a envolvidos nos atos de 8 de Janeiro trouxe apreensão aos investidores. O ambiente político continua sendo visto como um fator de risco, capaz de impactar as negociações econômicas e influenciar a confiança no mercado brasileiro.
Para suavizar oscilações no câmbio, o Banco Central realizou dois leilões de linha nesta sexta-feira, ofertando um total de US$ 2 bilhões. No leilão de linha A, foi vendido US$ 1 bilhão com taxa de corte de 5,291000%, em operação que será liquidada em outubro e recompra prevista para fevereiro de 2026. No leilão de linha B, também de US$ 1 bilhão, a taxa de corte foi de 5,158000%, com recompra marcada para março de 2026.
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Essas operações fazem parte da estratégia de rolagem dos vencimentos de outubro e ajudam a dar liquidez ao mercado. A atuação preventiva do BC contribui para reduzir volatilidades e transmitir segurança a investidores e importadores, evitando movimentos bruscos de valorização da moeda norte-americana no curto prazo.
