Como recibo de conserto de óculos levou Marcola à prisão há 25 anos após investigação de Ruy Ferraz
Foi a partir de um recibo de conserto de óculos de sol que o então delegado Ruy Ferraz Fontes conseguiu rastrear e prender Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), ainda no final dos anos 1990. A história está documentada no livro Laços de Sangue – A História Secreta do PCC, do procurador de Justiça Márcio Sérgio Christino, que atuou ao lado de Fontes no combate ao crime organizado.
Na época, Marcola — também conhecido como “Playboy” — era procurado por assaltos a banco e era conhecido por ostentar roupas caras e carros de luxo. Um dos crimes mais audaciosos sob sua liderança foi o assalto à empresa de transporte de valores Transprev, na Zona Oeste de São Paulo, em 1998. O grupo sequestrou familiares de um coordenador de segurança, obrigando-o a entregar R$ 15 milhões sem disparar um tiro.
Apesar do planejamento meticuloso, os investigadores Ruy Ferraz Fontes e Alberto Pereira Matheus encontraram um recibo de conserto de óculos no lixo do apartamento usado pela quadrilha. Através do documento e do número do Bipe (sistema de comunicação), localizaram Marcola e ligaram-no ao crime.

Prisão e ascensão no crime organizado
Após o assalto, Marcola fugiu para o Nordeste e o Paraguai. A Polícia Civil seguiu investigando seu perfil — vaidoso e amante de carros de luxo — até que identificaram um Chrysler Stratus, veículo de alto padrão à época, circulando pela Marginal Tietê. Em uma abordagem, Marcola foi detido, portando documentos falsos. Levado ao Deic, confessou a verdadeira identidade e foi preso.
A prisão foi um marco nas ações contra o crime organizado. Após ser enviado à Casa de Custódia de Taubaté, Marcola passou a integrar o PCC, fundado naquela unidade em 1993. Nos anos seguintes, ascendeu à liderança da facção.

Legado de Ruy Ferraz Fontes
Ruy Ferraz Fontes foi assassinado em 15 de setembro, em Praia Grande, onde atuava como secretário de Administração. Sua trajetória na Polícia Civil é marcada por ações de enfrentamento ao PCC, tendo comandado o Deic, Denarc, DHPP, Decap e a Delegacia Geral. A prisão de Marcola é considerada um dos episódios mais simbólicos de sua carreira.
