Polícia encontra sangue e marcas de tiros em picape de homens que saíram de SP para cobrar dívida no Paraná
Foram encontrados vestígios de sangue e marcas de disparos de arma de fogo na picape usada pelos quatro homens que desapareceram após cobrar uma dívida em Icaraíma, no noroeste do Paraná. A informação foi confirmada pela Polícia Militar (PM-PR) neste sábado (13).
O veículo foi localizado na tarde de sexta-feira (12) em um bunker na zona rural da cidade, coberto por uma lona e enterrado. Foi necessário realizar escavações para retirá-lo. As marcas de tiros estavam na lataria e no para-brisa, segundo o delegado Gabriel Menezes.
A Polícia Científica recolheu amostras de sangue e outros vestígios que passarão por perícia. De acordo com a PM, foi encontrado dentro do veículo um objeto com o nome de uma pessoa, que também foi apreendido.

Desaparecimento
As vítimas Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso saíram de São José do Rio Preto (SP) no dia 4 de agosto, contratados por Alencar Gonçalves de Souza para cobrar uma dívida.
No dia 5, os quatro foram vistos pela última vez em uma padaria de Icaraíma, por volta das 10h. Desde o meio-dia daquele dia, deixaram de responder aos familiares. As imagens de segurança do local são o último registro conhecido do grupo.

A esposa de Robishley registrou o desaparecimento no dia seguinte em São Paulo. Desde então, Corpo de Bombeiros, PM-PR e Polícia Civil realizam buscas na região.
Suspeitos
No dia 6 de agosto, a polícia foi à propriedade rural no distrito de Vila Rica do Ivaí onde o grupo esteve para cobrar a dívida. Lá estavam Antonio Buscariollo (66 anos) e seu filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo (22 anos), que prestaram depoimento e foram liberados.
Após deixarem o local, pai e filho desapareceram e tiveram mandados de prisão temporária expedidos. A polícia suspeita de uma emboscada que teria resultado nas mortes das vítimas.
Todos os familiares que moravam na propriedade também sumiram e são investigados. Antonio tem antecedente por posse ilegal de arma de fogo. Paulo não possui passagens.

A dívida
Segundo a Polícia Civil, a família Buscariollo comprou uma propriedade rural de Alencar por R$ 255 mil, divididos em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada. Nenhuma parcela foi paga, e foi por essa cobrança que os três homens teriam sido contratados.
Famílias das vítimas informaram que os desaparecidos trabalham há cerca de 13 anos com cobrança de dívidas.
Defesa e recompensa
O advogado Renan Farah, que representa Antonio e Paulo, diz que os dois são inocentes e fugiram por medo após receber ameaças de morte. Ele alega que houve um desacordo comercial e que planeja derrubar as prisões temporárias antes de apresentá-los à polícia.
A advogada Josiane Monteiro, que representa a família das vítimas, afirma que o caso deve ser tratado como homicídio, embora os familiares mantenham a esperança de encontrá-los vivos.
Para obter respostas, as famílias oferecem R$ 50 mil de recompensa por informações que levem ao paradeiro dos suspeitos e das vítimas.
