Pacientes relatam abuso sexual, agressão e cárcere e em comunidade terapêutica em Alagoas
Um espaço que deveria acolher pessoas em situação de vulnerabilidade acabou se tornando cenário de sofrimento e violência, segundo ex-pacientes. A Polícia Civil interditou nesta segunda-feira (25) uma clínica em Marechal Deodoro, região metropolitana de Maceió, investigada pela morte da esteticista C. P. F. S., de 41 anos, e por uma série de crimes que vão de maus-tratos a abusos sexuais.
De acordo com a polícia, durante vistoria realizada por uma comissão de delegadas, Polícia Científica e Vigilância Sanitária, foram encontradas manchas de sangue em um dos quartos, apelidado pelos internos de “quarto da tortura”. A delegada responsável afirmou que havia “reiteração de condutas delitivas” no local.
Na residência dos proprietários da clínica, M. A., e J. C. V., presos durante as investigações, foram apreendidos um facão, uma arma de choque e medicamentos de uso controlado, que teriam sido utilizados para torturar pacientes. M. A., foi detido em um motel após ser considerado foragido, enquanto Jéssica também responde a acusações de abusos sexuais contra uma adolescente internada. A defesa nega os crimes e sustenta que ela apenas teria emprestado o nome para a abertura da clínica.

Relatos de ex-pacientes
Os Boletins de Ocorrência registrados após a morte de C. P. F. S., reforçam as denúncias de tortura. Um homem que ficou internado entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025 relatou que os pacientes eram dopados diariamente, sofriam ameaças, agressões físicas e tinham a comunicação com familiares controlada. Ele afirma ter sido espancado e chegou a fraturar três costelas.
Segundo o denunciante, os internos eram submetidos a banhos de apenas dois minutos, alimentação precária e exercícios forçados sob efeito de medicamentos. “Era cárcere privado disfarçado de tratamento”, disse, acrescentando que conseguiu sair após a família perceber seu estado debilitado em uma fotografia.

Uma ex-paciente também afirmou ter sido internada de forma compulsória em 2023, sendo obrigada a assinar documentos que diziam o contrário. Ela relatou que, logo nos primeiros dias, foi ameaçada pelo proprietário para não denunciar os abusos, sob o argumento de que seria considerada “louca” e desacreditada por todos.
Investigações
Os relatos de ex-internos e as provas coletadas serão incluídos no inquérito, que apura as circunstâncias da morte de C. P., e a rotina de abusos dentro da comunidade terapêutica. A polícia segue colhendo depoimentos para fortalecer o caso contra os proprietários.
