Menina de 6 anos morre baleada após carro da família ser confundido com veículo de traficantes
Um domingo de tragédia marcou a vida de uma família no bairro Carapebus, na Serra, região da Grande Vitória. Uma menina de seis anos foi morta a tiros enquanto estava dentro do carro com os pais. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o veículo foi atingido por engano durante um confronto entre facções criminosas rivais.
O caso aconteceu no fim da tarde de domingo (24). A criança estava no banco traseiro de um Peugeot prata escuro, que voltava da praia com os pais. O carro foi alvejado por criminosos que, segundo a polícia, confundiram o veículo da família com o de traficantes rivais. A mãe da menina, que está grávida de oito meses, e o pai também foram atingidos de raspão.
Apesar de ferido, o pai dirigiu até o Hospital Municipal Materno Infantil (HMMI), na Serra, em busca de socorro para a filha. No entanto, a criança não resistiu e morreu na unidade hospitalar. Os pais foram ouvidos pela polícia, mas o estado de saúde deles ainda não foi divulgado.
Conflito entre facções motivou ataque
De acordo com o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, Leonardo Damasceno, a morte da menina foi consequência de um erro cometido por um olheiro do Primeiro Comando de Vitória (PCV). O alvo dos criminosos seria um carro usado por integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), facção rival que também atua na região.
“O olheiro estava procurando um veículo dos traficantes do TCP e identificou de forma equivocada o carro da família”, explicou Damasceno. Ele acrescentou que o ataque foi parte de uma sequência de confrontos entre os grupos criminosos.
No sábado, véspera do crime, dois tiroteios já haviam sido registrados: um na Lagoa de Carapebus e outro em Balneário de Carapebus. No domingo, a tentativa de emboscada do PCV terminou vitimando uma criança inocente. “O ataque tinha um alvo específico, mas acabou atingindo quem não tinha nenhuma relação com o tráfico”, lamentou o secretário.
Seis presos, entre eles uma advogada
Em resposta imediata à tragédia, a polícia deflagrou uma operação que resultou na prisão de seis suspeitos envolvidos na ação. Entre os detidos estão dois dos supostos mandantes do crime, um dos atiradores, o olheiro que errou a identificação, a pessoa responsável por dar fuga aos criminosos e a esposa de um dos mandantes, que é advogada.
Até o momento, os nomes dos envolvidos não foram oficialmente divulgados.
Carro abandonado e explosivos encontrados
O grupo criminoso fugiu após o ataque, abandonando o carro utilizado na ação — um Fiat Argo branco — na principal via do bairro Novo Horizonte. O veículo foi encontrado com 12 marcas de tiros na lataria e nos vidros. Dentro dele, a perícia identificou cápsulas de diferentes calibres, uma touca-ninja roxa e até uma granada de fabricação caseira.
A área foi isolada e o Esquadrão Antibombas da Companhia de Operações Especiais foi acionado para lidar com o artefato. Moradores relataram ter visto o objeto explosivo próximo ao veículo.
