Golpes do Pix e boleto falso continuam fazendo milhões de vítimas no Brasil; entenda!
Uma pesquisa recente do Datafolha, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, trouxe um alerta preocupante sobre a segurança digital no Brasil: cerca de 24 milhões de brasileiros já foram vítimas de golpes envolvendo o PIX ou boletos falsos somente em 2025. O levantamento, realizado entre os dias 2 e 6 de junho de 2025, ouviu mais de dois mil entrevistados com 16 anos ou mais em 130 municípios e revelou que 14% da população já sofreu esse tipo de fraude, contra 10% registrados no ano anterior. O prejuízo financeiro total estimado é de aproximadamente R$ 29 bilhões, com uma média de R$ 1.198 de perda por vítima. Esses crimes virtuais superaram, em número de vítimas, ocorrências como roubo ou furto de celular, assaltos em geral e até mesmo o recebimento de notas falsas.
Os dados mostram que o golpe do PIX e o boleto falso não são apenas incidentes isolados, mas um problema estrutural que acompanha o avanço da digitalização dos serviços financeiros. O estudo destaca que a prevalência desse crime atinge 14,3% da população adulta, mas chega a 35,1% entre aqueles que tiveram o celular roubado ou furtado no período analisado. Isso reforça a constatação de que o interesse do criminoso vai muito além do valor de revenda do aparelho: o objetivo é ter acesso às informações pessoais e financeiras armazenadas no dispositivo, o que potencializa golpes como transferências não autorizadas via PIX.
A comparação com outros crimes deixa o cenário ainda mais evidente. Enquanto golpes do PIX ou boletos falsos afetaram 24 milhões de pessoas, o roubo ou furto de celular atingiu 15,7 milhões, os assaltos em geral somaram 18,7 milhões de vítimas e o recebimento de notas falsas impactou cerca de 16 milhões. A pesquisa ainda revela que 33% dos brasileiros afirmam ter sido vítimas de crimes virtuais nos últimos doze meses, contra 22% que sofreram crimes presenciais, confirmando que o ambiente online se tornou mais perigoso que o mundo físico para muitas pessoas.
O impacto desses golpes também varia conforme a faixa etária e a classe social. Segundo o levantamento, 37% das vítimas de fraudes envolvendo o PIX ou boletos falsos estão nas classes A e B, enquanto 22% pertencem às classes C, D e E. Quando se analisa por idade, as diferenças também chamam atenção: entre idosos com 60 anos ou mais, 11% sofreram fraudes bancárias diretamente em conta-corrente ou poupança, enquanto entre jovens de 16 a 24 anos, 23% caíram em golpes relacionados a compras online ou em redes sociais que não foram entregues. A média nacional para esse tipo de golpe é de 18%, mostrando que os mais jovens, embora mais familiarizados com a tecnologia, também são mais vulneráveis em determinados contextos.
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Golpes virtuais e a relação com ação humana
Outro ponto importante do estudo é a relação entre o furto de celulares e a exposição a golpes virtuais. A pesquisa indica que quem teve o aparelho roubado ou furtado tem quase quatro vezes mais chances de ser vítima de um golpe de PIX ou de boleto falso. O acesso indevido a aplicativos bancários, dados pessoais, contatos e até conversas de mensageiros instantâneos amplia o potencial de fraude. Muitos casos começam com uma simples invasão de conta e evoluem rapidamente para transferências e pagamentos não autorizados.
Além dos golpes financeiros diretos, o levantamento identificou que 32 milhões de brasileiros, o equivalente a 19% da população adulta, já sofreram chantagem ou ameaças virtuais ligadas a dados pessoais ou de familiares que foram vazados. O prejuízo total estimado para esse tipo de crime chega a R$ 24,4 bilhões. Entre julho de 2024 e junho de 2025, 46,4 milhões de pessoas receberam contatos fraudulentos por mensagens ou ligações se passando por centrais de segurança de bancos ou operadoras. Embora nem todas essas tentativas tenham resultado em perdas financeiras, o impacto emocional e o sentimento de vulnerabilidade são significativos.
O estudo reforça que a prevenção é a principal arma contra esses crimes. Especialistas recomendam sempre verificar a autenticidade de boletos e links de pagamento, nunca compartilhar senhas ou códigos de autenticação, ativar alertas de movimentação na conta e bloquear imediatamente o acesso em caso de perda ou roubo do celular. Também é importante registrar boletim de ocorrência sempre que houver fraude ou tentativa de golpe, além de manter um trabalho constante de educação digital, especialmente entre idosos e jovens, que aparecem como grupos de risco em diferentes tipos de golpes.
Com a crescente popularidade do PIX como meio de pagamento rápido e acessível, cresce também o interesse dos criminosos em explorar vulnerabilidades do sistema e, principalmente, das vítimas. Entender o funcionamento desses golpes, adotar medidas preventivas e desconfiar de qualquer pedido de transferência ou pagamento fora do comum são passos fundamentais para se proteger. A realidade mostrada pela pesquisa do Datafolha deixa claro que a segurança digital deve ser prioridade absoluta, pois cada clique ou confirmação pode representar a diferença entre a proteção e a perda de recursos financeiros.
