Saiba como é o presídio de segurança máxima Bangu 3, onde o rapper Oruam está preso
O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, foi transferido para uma cela coletiva na Penitenciária Dr. Serrano Neves, a Bangu 3, onde divide espaço com detentos ligados à facção Comando Vermelho (CV). A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), que afirmou que a alocação segue critérios técnicos e padrões do sistema prisional.
A transferência ocorre dias após a Justiça do Rio aceitar a denúncia do Ministério Público (MP-RJ) e tornar Oruam e o amigo Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira réus por tentativa de homicídio qualificado. A acusação envolve o ataque a dois agentes da Polícia Civil, ocorrido durante uma operação no dia 21 de julho no bairro do Joá, Zona Oeste da capital. Segundo o MP, o rapper e outros envolvidos arremessaram pedras contra os policiais, atingindo um deles com lesões e danificando veículos descaracterizados utilizados na ação.

A Penitenciária Dr. Serrano Neves, mais conhecida como Bangu 3, é uma unidade de segurança máxima localizada dentro do Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro. Destinada a presos de alta periculosidade, a unidade abriga principalmente integrantes do Comando Vermelho. O local possui rígido controle de segurança, celas trancadas por longos períodos, fiscalização intensa sobre visitas e constantes denúncias de superlotação, calor extremo e más condições estruturais. A presença majoritária de membros da facção é um dos fatores levados em consideração pela gestão prisional na hora de definir as celas coletivas.
De acordo com a Promotoria, as pedras lançadas na ação pesavam entre 130 gramas e 4,85 quilos e foram arremessadas de uma altura de 4,5 metros, com potencial para causar lesões letais. As denúncias foram formalizadas em duas ações penais distintas — uma por tentativa de homicídio, e outra por lesão corporal, resistência com violência, desacato, ameaça e dano ao patrimônio público. Também respondem na segunda ação Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos.

Oruam se entregou no dia 22 de julho, após ter a prisão decretada. Na ocasião da abordagem, a Polícia Civil cumpria mandado de busca e apreensão contra um adolescente, que foi encontrado saindo da residência do artista, acompanhado de um grupo de pessoas. Durante a confusão, o rapper teria dito aos policiais que é filho de Marcinho VP, apontado como um dos principais líderes do CV, preso desde 1996, o que o MP interpreta como uma tentativa de intimidação. Oruam, no entanto, nega vínculos com a facção e diz ser vítima de criminalização por conta de seu estilo musical e parentesco.
A Polícia Civil informou ainda que o rapper é investigado por tráfico de drogas e associação para o tráfico. A defesa alega que nada de ilícito foi encontrado em sua casa e sustenta que houve abuso de autoridade por parte dos policiais. O artista permanece preso enquanto responde às acusações na Justiça.
