Adolescente morto após espancamento por homofobia foi agredido por dois primos, diz polícia
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) confirmou que os dois adolescentes suspeitos de agredir até a morte o jovem Fernando Vilaça, de 17 anos, são primos da vítima. O caso aconteceu em Manaus e está sendo tratado como crime motivado por homofobia. Um dos suspeitos, de 16 anos, foi apreendido nesta quarta-feira (9/7), enquanto o outro segue foragido.
Fernando morreu no sábado (5/7), dois dias após sofrer um espancamento brutal na rua Três Poderes, bairro Gilberto Mestrinho, zona leste da capital. Ele foi agredido após reagir a insultos de cunho homofóbico durante uma confraternização entre amigos, quando questionou os agressores por ter sido chamado de “viadinho”. Os golpes causaram ferimentos graves, e mesmo após ser transferido de hospital e passar por cirurgia, o adolescente não resistiu.

Segundo a investigação, o ataque foi cometido pelos primos de Fernando, que moravam próximos à casa dele. A motivação do crime, de acordo com a polícia, está diretamente ligada à homofobia — um dos menores, de 17 anos, é apontado como responsável pelo golpe fatal. Ele já havia sido expulso de uma escola anteriormente por má conduta.
“O caso é um exemplo de violência motivada por preconceito. Independentemente da orientação sexual, ninguém deve ser alvo de discriminação”, afirmou o delegado-geral adjunto Guilherme Torres. Ele também destacou que a vítima nunca havia se manifestado sobre sua sexualidade, mas já sofria injúrias por parte dos agressores.
A Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai) passou a investigar o crime após ser notificada no dia 7 de julho. A Vara da Infância e Juventude Infracional, com parecer favorável do Ministério Público do Amazonas (MPAM), autorizou a internação provisória dos dois adolescentes, que podem responder por atos infracionais análogos a homicídio qualificado por motivo fútil e injúria homofóbica.
A polícia conseguiu localizar e apreender o primo de 16 anos. O outro suspeito, de 17 anos, segue sendo procurado.
“Estamos em diligências para cumprir o mandado de internação do segundo envolvido o mais breve possível”, informou o delegado Luiz Rocha, responsável pelo caso.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) classificou oficialmente o crime como assassinato por homofobia.
