PM envolvido em morte por engano foi reprovado em avaliação psicológica de concurso público
O policial militar apontado como autor do disparo que matou, por engano, o jovem Guilherme Ferreira, de 26 anos, foi considerado inapto no exame psicológico de um concurso público da Polícia Científica do Paraná, realizado em 2023. A informação consta em documentos judiciais obtidos pela reportagem.
Fabio Anderson Pereira de Almeida participou do processo seletivo regido pelo Edital nº 001/2023, tendo avançado nas primeiras etapas. No entanto, acabou desclassificado na fase de avaliação psicológica. Contestando o resultado, ele alegou que o exame apresentava “vícios insanáveis” e tentou, por meio de recurso administrativo e posteriormente judicial, continuar no certame.
De acordo com os autos, o policial argumentou que o resultado se baseava em critérios subjetivos e que a banca teria desrespeitado princípios como legalidade e ampla concorrência. Em sua defesa, Fabio solicitou uma liminar para que pudesse retornar ao concurso.
No entanto, a Justiça negou o pedido. A decisão, proferida em 22 de novembro de 2024 pelo juiz Diego Santos Teixeira, do 15º Juizado Especial da Fazenda Pública de Curitiba, considerou que os argumentos do candidato não demonstraram ilegalidade por parte da banca responsável pela avaliação.
Além disso, o magistrado observou que o policial não apresentou o laudo psicológico que embasou a eliminação, o que inviabilizou a análise do possível vício apontado.
“A adoção de critérios subjetivos e a definição de perfil comportamental para o cargo não configuram nulidade do ato, por si só”, destacou o juiz em sua decisão. O pedido de tutela de urgência também foi indeferido, por não estarem presentes os requisitos legais como o risco de dano ou prejuízo ao resultado do processo.
