Laudo aponta morte por asfixia de empresário achado em buraco no Autódromo de Interlagos
A morte do empresário Adalberto Amarilio Júnior, de 35 anos, encontrado sem vida em um buraco de obra no Autódromo de Interlagos, Zona Sul de São Paulo, foi causada por asfixia, conforme laudo do Instituto Médico Legal (IML). O documento foi entregue à Polícia Civil, que apura o caso, inicialmente tratado como morte suspeita.
A perícia apontou sinais de esganadura no pescoço da vítima, levantando a hipótese de que ele possa ter sido sufocado manualmente ou por compressão torácica. A morte teria ocorrido entre 24 e 48 horas antes da localização do corpo, no dia 3 de junho, por um trabalhador da obra.
Adalberto desapareceu em 30 de maio após participar de um evento de motociclismo no local. Imagens de câmeras de segurança o registraram caminhando no estacionamento momentos antes do sumiço. Seu corpo foi encontrado em um buraco de aproximadamente 3 metros de profundidade e 70 centímetros de diâmetro, sem calça e sem tênis.

Exames toxicológicos não identificaram presença de álcool ou drogas no organismo do empresário, contrariando o relato de um amigo que disse à polícia que ambos consumiram cerveja e maconha no dia do evento. Este amigo, identificado como Rafael, foi a última pessoa a vê-lo com vida e é considerado testemunha, não suspeito.
A investigação, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), trabalha com a possibilidade de que Adalberto tenha sido agredido e colocado no local por alguém. A esposa da vítima, Fernanda, de 34 anos, reforça essa hipótese: “Ele nunca entraria naquele buraco por conta própria. Estava indo para o carro quando foi surpreendido”.
A polícia avalia se o empresário foi abordado ao tentar sair por uma área restrita. A delegada Ivalda Aleixo revelou que existe a possibilidade de que ele tenha sido imobilizado com o joelho nas costas ou tórax, o que teria provocado a perda de consciência antes de ser descartado no buraco.
Um laudo do Instituto de Criminalística está em andamento para reconstruir, em 3D, a rota feita por Adalberto desde o evento até o ponto onde foi encontrado. O objetivo é esclarecer o trajeto e possíveis interações no caminho.

Até o momento, sete seguranças foram ouvidos, e a polícia pretende colher depoimentos de cerca de 90 dos 188 profissionais que atuaram no evento, entre trabalhadores do autódromo, kartódromo e seguranças contratados.
O resultado da análise do sangue encontrado no carro da vítima, estacionado em área proibida, ainda está pendente. A expectativa é que esse exame seja concluído nesta semana.

