O futuro do setor de transportes: como o Free Flow e a IA prometem revolucionar a gestão viária
O mercado de infraestrutura rodoviária no Brasil está em um momento de transformação, impulsionado por novas tecnologias como o Free Flow — um sistema de pedágio eletrônico, sem as tradicionais praças de pedágio —, além de inovações no campo da inteligência artificial (IA) e geolocalização. As regulamentações recentes sobre o Free Flow no Brasil e o avanço das concessões rodoviárias pautadas nesta forma de cobrança em estados como São Paulo – que lidera na implementação desse modelo – são apenas parte de uma ampla revolução.
“As empresas estão desenvolvendo soluções baseadas em câmeras e sistemas de IA para predição de acidentes e gestão de tráfego. Essas tecnologias analisam dados em tempo real, oferecendo insights críticos para melhorar a segurança nas rodovias e otimizar a fluidez do tráfego. O uso de redes neurais e sensores visuais como câmeras transforma essas imagens em informações valiosas para operadores viários, permitindo a redução de acidentes e o monitoramento preciso do fluxo de veículos”, explica Sylvio Calixto, CEO da Pumatronix, uma das principais fabricantes nacionais de equipamentos para monitoramento de trânsito e sistemas de transporte inteligente (ITS).

Outro avanço importante é o uso de sistemas de geolocalização e predição de tráfego, que podem identificar congestionamentos antes que eles se formem e sugerir rotas alternativas. Essas tecnologias também têm impacto direto na redução de acidentes, ao fornecer informações precisas sobre as condições da estrada em tempo real para os motoristas e operadores de rodovias. No entanto, especialistas alertam que a expansão da tecnologia deve ser acompanhada de investimentos em infraestrutura.
Desafios
“De nada adianta contar com sistemas tecnológicos avançados se a malha viária continuar limitada. O Brasil ainda tem um longo caminho pela frente nesse aspecto, pois muitos trechos rodoviários não suportam o crescente volume de tráfego. A expansão e a modernização das rodovias, em conjunto com o uso dessas novas ferramentas tecnológicas, são essenciais para garantir um trânsito mais seguro e eficiente.
Soluções baseadas em análise de imagem e inteligência artificial, amparadas por câmeras cada vez mais tecnológicas são vistas como base para o futuro do setor de transportes. Essas inovações estão moldando a forma como as estradas são monitoradas e geridas, e o Brasil, embora ainda enfrentando desafios estruturais, começa a despontar como um campo promissor para a implementação dessas tecnologias.
E as inovações não param por aí. Para o final do primeiro trimestre de 2025 está previsto o início da cobrança de pedágio por trecho percorrido e com tarifa dinâmica, via pedágio Free Flow, no trecho entre São Paulo e Guarulhos na rodovia Presidente Dutra. Em novembro de 2024 será leiloada o Lote Nova Raposo, projeto paulista que adotará as mesmas premissas de cobrança.
Com a crescente digitalização e integração de sistemas inteligentes, a expectativa é que, nos próximos anos, as rodovias brasileiras se tornem não apenas mais eficientes, mas também mais seguras, reduzindo o número de acidentes e otimizando o fluxo de veículos nos principais corredores viários e regiões metropolitanas de todo Brasil. A tecnologia, embora crucial, ainda precisa ser acompanhada por uma visão estratégica de longo prazo para que o impacto seja realmente transformador.
Fontes para entrevistas:
Sylvio Calixto, CEO da Pumatronix – Sylvio Calixto é CEO da Pumatronix, empresa que desenvolve e fabrica soluções integradas de alta tecnologia para captura e processamento de imagens para mobilidade e segurança pública e privada de cidades, rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Graduado em Engenharia Elétrica com ênfase em eletrônica e telecomunicações pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UFPR), Calixto é mestre em Informática Industrial, Engenharia Elétrica e Eletrônica pela mesma instituição. Atuou por cerca de 10 anos na Perkons, empresa especializada em tecnologia para segurança e gestão integrada de tráfego. Com a experiência adquirida neste setor, fundou a Pumatronix em 2007, junto com outros três amigos engenheiros.
Grupo Pumatronix
É uma das principais fabricantes nacionais de equipamentos para monitoramento de trânsito e sistemas de transporte inteligente (ITS), com alta tecnologia para captura e processamento de imagens e leitura de placas de veículos (OCR/LPR), contribuindo para a mobilidade urbana e rodoviária, modernização das cidades, fiscalização e segurança no trânsito. Fundada em 2007, na incubadora Tecnológica do Tecpar (INTEC), conta com Laboratório Tecnológico próprio no qual monta, integra e testa as placas eletrônicas com precisão e qualidade certificada pelo ISO 9001. Em 2021, a Pumatronix adquiriu a Plugfield, uma das maiores fábricas brasileiras de Estação Meteorológica Online.
