Prática de “ghosting” cai 32% entre jovens adultos, diz pesquisa
Os jovens adultos de 18 a 25 anos têm 32% menos probabilidade de praticar ghosting em comparação às gerações anteriores, revelou uma pesquisa realizada pela plataforma Tinder. À medida que a Geração Z prioriza a autenticidade e a comunicação aberta, o comportamento de sumir sem dar explicações tem se tornado uma prática em desuso, refletindo novas dinâmicas de relacionamentos.
A especialista em amor e relacionamentos do Tinder, Carol Tilkian, explica: “Podemos entender que o ghosting perdeu parte da sua normalização original. Sumir sem explicações parecia uma fuga prática e até comum, e hoje vemos uma geração que valoriza a autenticidade e a transparência.”
“Essa é uma geração que cresceu numa cultura digital que expõe tudo – do poder de escolha às vulnerabilidades – assim, ainda que de maneira às vezes performáticas, esses jovens se autorizam mais a colocar sua opinião e suas emoções nas relações”, diz. Para a especialista, essa cultura digital gera também uma espécie de pressão social para que os términos sejam mais claros e responsáveis. “Sumir sem dar explicações pode gerar o efeito contrário – ao não falar, você se torna a pessoa falada por ter sido covarde.”

Os dados da pesquisa mostram que 77% dos usuários da plataforma respondem seus pretendentes em até 30 minutos, e 40% o fazem em menos de cinco minutos. “Essa taxa de resposta pode apontar para traços de ansiedade e imediatismo, mas também revela o declínio dos ‘joguinhos de desinteresse’ como parte do processo de sedução. Em tempos de atenção dispersa, essa geração já entendeu que é preciso aproveitar as oportunidades de presença compartilhada (ainda que virtual) para fortalecer a conexão”, acrescenta Carol Tilkian.
Além disso, 73% dos millennials com idades entre 33 e 38 anos concordam que fazer joguinhos era comum na época em que tinham entre 18 e 25 anos, evidenciando uma mudança significativa nas atitudes em relação à comunicação. A Geração Z está se afastando das práticas de desinteresse e busca manter diálogos mais fluidos e imediatos.
O Tinder chegou a implementar um recurso para incentivar essa nova cultura de comunicação. O “Sua Vez”, por exemplo, sinaliza quando é a hora de responder, ajudando a evitar desaparecimentos repentinos nas conversas.
“É preciso lembrar que o desejo do outro é o desejo do outro e não diz respeito diretamente a nós. Isso significa que a não continuidade de uma relação não deveria ser encarada como um demérito ao rejeitado. É claro que haverá frustração, raiva e tristeza, mas precisamos normalizar as mudanças de interesse sem vilanizar quem não quis mais. Conversar e comunicar o fim pode ser a forma mais saudável de deixarmos de ter uma postura defendida”, conclui Tilkian.
