Mulher atacada pelo ex no trabalho horas após audiência de divórcio fala sobre condenação do homem: ‘Que seja feliz e me esqueça’
A mulher atacada pelo ex no trabalho horas após a audiência de divórcio, em Sorocaba (SP), falou sobre o julgamento do homem, realizado na terça-feira (6). O caso ocorreu em outubro de 2021, em uma loja na Avenida Ipanema, no Jardim das Flores.
De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o policial aposentado, que não será identificado para que a vítima seja preservada, foi condenado a três anos, dez meses e 20 dias de reclusão e três meses de detenção em regime semiaberto.

No entanto, segundo a decisão do juiz Emerson Tadeu Pires de Camargo, embora o homem tenha sido condenado em regime semiaberto, ele estava preso havia dois anos e três meses e, por isso, houve uma detração e ele poderá cumprir o restante da pena em liberdade.
“Eu só espero que ele realmente tenha mudado, assim como disse o defensor dele. Peço em minhas orações para que ele siga em frente, que seja feliz e me esqueça. Deus sabe todos os porquês e o que é melhor”, relatou a vítima ao g1.
“Queira Deus que ele tenha aprendido a controlar seus impulsos (o que ele não sabia, pois era agressivo no casamento). Pois eu não quero ficar em cárcere porque ele está nas ruas, tenho que trabalhar e tenho família. Mantida pela minha fé, com apoio de familiares e amigos”, finalizou.
Relembre o caso
De acordo com o boletim de ocorrência, o ataque do ex-marido ocorreu em uma segunda-feira, dia 25 de outubro de 2021, em uma loja na Avenida Ipanema, no Jardim das Flores. Testemunhas contaram que houve disparo de arma no comércio.
Na ocasião, o policial caminhou até a mulher, que trabalhava no local. Em seguida, houve a confusão. Ao g1, a vítima contou que foi surpreendida pelo ex-marido armado dentro da loja.
“Peguei o celular para ligar para o 190. Quando comecei a discar, eu o vi levantando a camisa e sacando a arma. Gritei que ele estava armado e, aí, ele fez o disparo. A arma deu problema no pente e engatilhou. Chutou outras duas portas e apontou a arma para outras pessoas”, lembra a mulher.
A maior parte da ação foi registrada pelas câmeras de segurança. A vítima conseguiu correr e subir para outro cômodo. Na sequência, o suspeito entrou no refeitório, apontou a arma para uma funcionária e perguntou onde a ex-esposa estava.
O caso foi investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A vítima, que já tinha uma medida protetiva, não ficou ferida. Os dois estavam separados havia cerca de quatro meses.
O ataque teria ocorrido após ele enviar mensagens para a vítima convidando-a para sair e pedindo para que ela “não arrumasse ninguém”.

Na época, a vítima contou ao g1 que o casamento de três anos acabou por ter sido um relacionamento abusivo e, mesmo após a separação, o policial insistia em mandar mensagens e fazer ligações para ela.
O caso foi parar na Justiça e a mulher conseguiu uma medida protetiva com urgência, além de uma audiência para a separação e partilha de bens. No entanto, após o fim da reunião online com advogados, as partes e o juiz, o suspeito foi até o trabalho da vítima e tentou matá-la.
‘Ficou transtornado’
Durante o interrogatório da Polícia Civil, o homem contou que, no dia do crime, saiu do escritório do advogado e “ficou transtornado” antes de seguir para o trabalho da ex-mulher.
Sobre o disparo dentro da loja, ele alegou que atirou para o alto, em direção à parede, e a arma travou. A intenção, segundo o relato dele, não era ferir a vítima.
O réu também negou que tenha apontado a arma para outro funcionário e disse que “foi atrás da vítima para que ela fosse embora para casa”.
