PF destrói equipamentos e volta a combater garimpo na Terra Yanomami
A Polícia Federal destruiu, na terça-feira, motores, geradores e outros maquinários de garimpo ilegal na Terra Yanomami. Os agentes abriram uma nova ofensiva contra a presença de criminosos, que permanecem na reserva mesmo após a série de operações realizadas pela corporação ao longo de 2023 para expulsão de garimpeiros invasores e destruição da infraestrutura usada para os delitos.
Na ação de terça-feira, a PF apreendeu coletes, munições, armas, rádios e cadernos dos garimpeiros. Também inutilizou aparelhos usados pelos invasores para extração ilegal de minérios – o que é um procedimento de praxe realizado nessas ofensivas.
Em dezembro, a Justiça Federal em Roraima atendeu a um pedido do Ministério Público Federal e ordenou a elaboração de um novo cronograma de ações contra o garimpo ilegal nas terras ocupadas pelas tribos Yanomami. Ao protocolar solicitação na Justiça, a Procuradoria narrou o retorno de garimpeiros à Terra Yanomami, denunciando relatos de aliciamento e prostituição. De acordo com a PF, as ações de combate ao garimpo na Terra Yanomami não têm data para acabar.

A nova ofensiva da PF é uma continuação da Operação Libertação, aberta no começo do ano passado para retirar garimpeiros invasores de comunidades Yanomami. A nova leva de operações se dá quase um ano depois de o governo federal declarar emergência sanitária na região, em razão da crise de saúde que assola os indígenas Yanomami. O desastre humanitário está diretamente ligado ao garimpo ilegal e à contaminação das águas da reserva com mercúrio.
O garimpo ilegal na região contaminou afluentes, e garimpeiros impediram o acesso de serviços de saúde às comunidades isoladas. Em dezembro de 2022, um posto de saúde chegou a ser queimado na região do Homoxi, em Roraima.
No início do mês, o Palácio do Planalto anunciou investimento de R$ 1,2 bilhão para ações no território em 2024, com um plano de atuação permanente de órgãos federais em toda a área. O governo indicou a construção de uma unidade de saúde e de postos de segurança permanentes na região, com o objetivo de conter a atuação ilegal de garimpeiros. Devem participar do processo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
