Uso excessivo das redes sociais afeta a capacidade de lidar com emoções, alerta pesquisadora

O uso excessivo das redes sociais tem provocado mudanças significativas na forma como as pessoas interpretam e administram suas emoções. Atualmente, milhões de usuários permanecem conectados durante boa parte do dia. Como resultado, a exposição constante a conteúdos rápidos, comparações sociais, notícias negativas e recompensas instantâneas pode comprometer a capacidade de lidar com frustrações, ansiedade e desafios cotidianos.
De acordo com a pesquisadora do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), Flávia Ceccato, autora do livro Descobrindo a Inteligência Existencial: Ferramentas, Insights e Implicações, o cérebro humano não foi desenvolvido para processar uma quantidade tão grande de informações emocionais ao mesmo tempo.
Excesso de informações desafia o cérebro

Segundo Flávia Ceccato, as redes sociais estimulam reações rápidas e constantes. Dessa forma, reduzem o tempo necessário para refletir sobre sentimentos, experiências e acontecimentos do dia a dia.
“Cada vez mais estamos reagindo ao que vemos nas redes sociais em conteúdos rápidos, sem tempo para elaborar emoções e de forma cada vez mais frequente e intensa. Por isso, diminuímos nossa capacidade de sentir, interpretar e organizar as próprias emoções”, explica.
Além disso, a especialista destaca que essa dinâmica pode gerar impactos negativos na saúde mental, no comportamento e até nos relacionamentos pessoais.
Brasil está entre os países que mais usam telas
Um levantamento da Electronics Hub, divulgado em 2023, aponta que o Brasil ocupa a segunda posição entre os países que mais passam tempo diante de telas. Os brasileiros utilizam computadores e celulares durante cerca de 56,6% do período em que permanecem acordados, ficando atrás apenas da África do Sul.
Esse cenário reforça a preocupação de especialistas sobre os efeitos da hiperconexão no comportamento humano.
Busca por validação externa preocupa especialistas

Para Flávia Ceccato, o uso excessivo das plataformas digitais faz com que muitas pessoas busquem aprovação constante de terceiros. Como consequência, elas acabam se afastando do autoconhecimento e da compreensão das próprias emoções.
Entre os efeitos mais comuns estão o aumento da ansiedade, da irritabilidade, da impulsividade e da sensação de confusão emocional.
“A inteligência existencial ajuda a resgatar o senso de propósito e presença. No entanto, estamos perdendo essa habilidade quando vivemos apenas no imediato. Isso é bastante preocupante”, afirma.
Reconexão com a própria realidade
O debate sobre saúde mental na era digital tem ganhado força nos últimos anos. Especialistas defendem que desenvolver o autoconhecimento e estabelecer limites no uso das redes sociais pode contribuir para uma relação mais equilibrada com a tecnologia.
Nesse contexto, compreender as próprias emoções e reservar momentos de desconexão surge como uma alternativa importante para preservar o bem-estar emocional em uma sociedade cada vez mais conectada.
