Bombeiro cria carvão que acende sozinho e transforma ideia simples em negócio milionário

O empreendedor gaúcho Wilian Biolo transformou uma dificuldade comum em muitos churrascos em uma oportunidade de negócio. Morador de Pareci Novo, ele criou um saco de carvão que acende praticamente sozinho e hoje vê o produto ganhar espaço em diferentes estados do país.
Wilian cresceu ajudando a família em uma churrascaria da cidade e, desde cedo, aprendeu os métodos tradicionais para acender o fogo da churrasqueira. No entanto, além da experiência na cozinha, ele também construiu outra trajetória profissional: atuou por mais de duas décadas como bombeiro voluntário, lidando diariamente com segurança, controle de chamas e prevenção de acidentes.
Ideia surgiu da observação do dia a dia
A combinação dessas duas experiências acabou sendo decisiva para a criação do produto. Ao observar as dificuldades enfrentadas por muitas pessoas na hora de acender o carvão — muitas vezes usando líquidos inflamáveis ou improvisos perigosos — o empreendedor decidiu buscar uma solução mais simples e segura.
Além disso, a ideia ganhou força durante um evento de startups. Nesse momento, Wilian percebeu que poderia reunir praticidade, segurança e sustentabilidade em um único produto. A partir daí, começou um período intenso de testes e desenvolvimento.
Dois anos de testes até chegar ao modelo final
Foram quase dois anos de experimentos e mais de 200 protótipos até chegar ao modelo final. Como resultado, surgiu um saco de carvão com um dispositivo interno que facilita a circulação de ar e permite que o fogo seja aceso de forma rápida e prática.
“É só rasgar duas partes da embalagem, acender o acendedor e colocar o produto em pé dentro da churrasqueira”, explica o empreendedor.
Além disso, a estrutura interna é feita de madeira com um acendedor acoplado, projetado para garantir ventilação adequada e eficiência no acendimento.
Produto aposta em segurança e sustentabilidade
Outro diferencial está nos materiais utilizados. A embalagem usa papel kraft natural, tintas à base de água e cola vegetal. Dessa forma, o produto também busca reduzir impactos ambientais.
Segundo Wilian, a ideia foi resolver problemas comuns enfrentados por quem prepara churrasco. “A gente conseguiu resolver três questões: segurança, praticidade e sujeira”, afirma.
Negócio cresceu e já fatura milhões
O produto já possui patente no Brasil e no exterior, garantindo exclusividade à empresa. Atualmente, o negócio funciona em um galpão com quatro funcionários e capacidade de produção de até cinco mil pacotes por mês.
As embalagens são vendidas em versões de três e quatro quilos, com preço médio de R$ 32. Além disso, a distribuição já alcança estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além de outros mercados pelo país.
Os números refletem o crescimento da empresa. Em 2021, primeiro ano de comercialização, o faturamento foi de R$ 62 mil. Já em 2025, a receita anual alcançou R$ 1 milhão.
Mesmo assim, o empreendedor afirma que o caminho até o sucesso exigiu persistência. “Nesses dois anos de protótipos, a gente desanima, duvida, mas eu nunca desisti. Hoje vejo que o produto deu certo e que ele não sai mais do mercado”, diz.
Por fim, a história mostra como ideias simples podem se transformar em soluções inovadoras quando surgem da observação do cotidiano. No caso de Wilian, uma inquietação diante de um problema comum acabou acendendo não apenas o fogo da churrasqueira, mas também um negócio de sucesso.
