BRB entrega plano ao Banco Central para reforçar capital e liquidez em até 180 dias
O Banco de Brasília (BRB) entregou nesta sexta-feira (6) ao Banco Central (BC) um Plano de Capital com medidas para recompor o balanço financeiro e reforçar a liquidez da instituição no prazo máximo de 180 dias.
O documento foi apresentado pessoalmente pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, ao diretor de Fiscalização do Banco Central. O secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias, também participou do encontro.
Segundo o BRB, o plano reúne ações preventivas que só serão executadas caso fique comprovada a necessidade de aporte financeiro por parte do Governo do Distrito Federal (GDF). A definição depende da conclusão das investigações que estão em andamento.

Em nota, o banco afirmou que a iniciativa tem como objetivo garantir a sustentabilidade da instituição, preservar a estabilidade das operações e assegurar transparência a clientes, investidores e parceiros.
O BRB não informou valores envolvidos no plano. No entanto, em depoimento à Polícia Federal no fim de 2025, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou que operações realizadas com o Banco Master teriam provocado um rombo estimado em R$ 5 bilhões no balanço da instituição.
O banco também não detalhou quais medidas constam no plano entregue ao BC. Limitou-se a afirmar que as ações visam proteger os clientes e assegurar a continuidade do funcionamento da instituição.
“O plano fortalece o capital institucional e assegura a estabilidade das operações. O banco reafirma seu compromisso com a transparência e com a adoção de todas as medidas necessárias para preservar a integridade de suas atividades”, informou o BRB.
Possíveis alternativas para recomposição de capital
De acordo com informações oficiais, o BRB possui ao menos cinco alternativas para levantar recursos, caso seja necessário:
– Empréstimos junto a outras instituições financeiras, incluindo bancos privados e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
– Venda de ativos, como carteiras imobiliárias e créditos concedidos a estados e municípios;
– Criação de um fundo imobiliário com terrenos e imóveis do Distrito Federal;
– Aportes diretos do Tesouro do Distrito Federal;
– Empréstimo do GDF com garantia do FGC, seguido de repasse ao banco.
As medidas que envolvem recursos públicos dependem de autorização da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Venda de ativos e investigações
Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, o BRB teria vendido cerca de R$ 5 bilhões em ativos considerados de alta qualidade para conter a saída de recursos após a liquidação do Banco Master e o avanço das investigações.
O banco também estaria negociando a venda de aproximadamente R$ 1 bilhão em carteiras de crédito com garantias do Tesouro Nacional, operação que pode render cerca de R$ 730 milhões em valor presente. Além disso, tenta se desfazer de fundos de investimento adquiridos do próprio Banco Master.
As apurações investigam a compra, pelo BRB, de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master, que teriam ativos superfaturados ou inexistentes. O BRB afirma que aproximadamente R$ 10 bilhões desse montante já foram substituídos ou liquidados e nega qualquer bloqueio de bens.
