Will Bank é liquidado, mas não era alvo de investigação da Polícia Federal
O Will Bank não é alvo da Polícia Federal nas operações que investigam o Banco Master, segundo um perito envolvido no caso, que falou sob condição de anonimato. Apesar disso, investigadores não descartam a possibilidade de o banco digital vir a ser incluído nas apurações.
Com forte presença no Nordeste e criado com foco em clientes de baixa renda, o Will Bank foi lançado em 2017 pela família Piana, do Espírito Santo. Quatro anos depois, a XP e a Atmos Capital entraram como acionistas minoritárias, com participações de 14,9% e 10%, respectivamente.
Dados apresentados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que, no primeiro ano após o investimento, a fatia da XP — por meio do fundo XP Private Equity I — dobrou de valor, passando de R$ 150 milhões para R$ 301 milhões. Nos dois anos seguintes, esse valor recuou para R$ 253 milhões.

Em março de 2024, o Banco Master anunciou ao mercado a compra do controle do Will, com aquisição de 75% da participação da família Piana. A XP e a Atmos permaneceram como sócias minoritárias, mantendo juntas 24,9% da instituição.
Documentos protocolados no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) apontam que a entrada do Master ocorreu junto com a Reag Investimentos, investigada em duas operações: Carbono Oculto e Compliance Zero — esta última por suspeita de ligação com o Banco Master.
Na transação, a Reag adquiriu a Will IP (Instituição de Pagamentos), que controlava o Will Bank, cujo nome legal é Will Financeira. Os pedidos de compra do Master e da Reag foram protocolados no mesmo dia e aprovados pelo Cade sem restrições.
Após a operação, a XP deixou o quadro societário do Will Bank. Na carteira do fundo XP Private Equity I, referente a setembro de 2024, a exposição ao banco digital aparece zerada, enquanto CDBs do Banco Master, que somavam R$ 401 milhões, passaram a constar no lugar.
Ainda segundo os dados citados, parte desses títulos foi revendida pela XP a investidores. Em março de 2025, a corretora voltou a adquirir mais CDBs do Master, mantendo uma parcela em carteira e repassando o restante ao mercado.
Outro lado
Em nota, a XP afirmou que sua exposição ao Will Bank ocorreu exclusivamente por meio de um fundo de private equity destinado apenas a investidores qualificados e profissionais.
A corretora também declarou que a venda da participação minoritária foi realizada em 2023, mas aprovada apenas em 2024, após um processo competitivo com interessados de diferentes setores. A XP afirmou ainda que a operação foi concluída antes dos eventos recentes envolvendo o Banco Master se tornarem públicos, e que seguiu práticas de compliance, com aprovação dos órgãos reguladores.
