O dólar a R$ 5,35 é só o começo? O alerta de R$ 5,50 que assustou o mercado
O dólar voltou a ser o protagonista dos mercados brasileiros nesta terça-feira (7), encerrando o dia cotado a R$ 5,35, em alta de 0,75%. O movimento, que acompanha o fortalecimento da moeda americana no exterior, acendeu o sinal de alerta entre analistas e investidores. Segundo projeções da XP, o câmbio pode alcançar R$ 5,50 até 2026, caso o cenário fiscal e político do país não apresente melhora.
O aumento recente foi impulsionado por uma combinação de fatores domésticos e externos. No Brasil, as atenções se voltam para a Medida Provisória 1.303/2025, em discussão no Congresso, que altera regras de tributação sobre apostas, fundos de investimento e ativos digitais. A proposta é vista pelo mercado como um esforço do governo para recompor a arrecadação após o bloqueio de aumentos de impostos, mas também levanta dúvidas sobre a previsibilidade da política fiscal.
No exterior, a valorização global do dólar tem sido sustentada pela expectativa de cortes graduais nos juros dos Estados Unidos. Dirigentes do Federal Reserve (Fed) sinalizaram que reduções poderão ocorrer nas próximas reuniões, mas sem ritmo acelerado. Isso mantém a moeda americana atrativa para investidores em busca de segurança, especialmente diante das incertezas políticas na Europa e da desaceleração do Japão.

A pressão fiscal e o risco de desancoragem
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou acalmar os ânimos do mercado ao afirmar que a “estratégia fiscal do governo está no caminho certo”. No entanto, economistas avaliam que a percepção de risco permanece elevada. As declarações recentes sobre possíveis novos gastos e a lentidão na aprovação de medidas de ajuste reforçam a preocupação com a sustentabilidade das contas públicas.
De acordo com especialistas em câmbio, o dólar só voltará a um patamar abaixo de R$ 5,20 se o governo conseguir mostrar avanços concretos na meta de déficit zero. Enquanto isso não acontece, o real tende a se manter pressionado. “A combinação de incerteza fiscal e juros americanos ainda altos cria um ambiente de volatilidade permanente”, explica um analista da XP.
Além do cenário local, o comportamento das moedas estrangeiras também pesa sobre o câmbio. O iene japonês e o euro recuaram frente ao dólar após declarações de líderes políticos que indicam aumento de gastos públicos. Esse movimento reforça o papel do dólar como ativo de proteção global, o que, por consequência, intensifica a desvalorização das moedas emergentes — entre elas, o real brasileiro.
O que esperar dos próximos meses
Para os investidores, a principal dúvida agora é até onde vai a escalada do câmbio. A XP revisou suas projeções e estima o dólar a R$ 5,50 em 2026, caso o ambiente fiscal brasileiro permaneça instável. Já no curto prazo, analistas preveem que a moeda oscile entre R$ 5,30 e R$ 5,45, dependendo das decisões do Congresso sobre a MP das apostas e da evolução da política monetária dos Estados Unidos.
O mercado também acompanha o impacto das eleições municipais sobre as discussões econômicas. A percepção de risco político pode aumentar caso medidas de controle de gastos sejam postergadas. Ainda assim, alguns analistas acreditam que o real pode recuperar parte de seu valor se o Banco Central mantiver a taxa Selic acima de 10% até o fim do ano, atraindo fluxo de capital estrangeiro.
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Enquanto isso, o investidor comum deve se preparar para um cenário de câmbio volátil e custos de importação mais altos. Produtos eletrônicos, combustíveis e itens industrializados podem sentir o impacto direto da valorização do dólar nas próximas semanas. O movimento, embora previsível, reforça o alerta do mercado: o dólar a R$ 5,35 pode não ser o teto, mas apenas o início de um novo ciclo de pressão cambial.
