Hora de arrumar as malas? Dólar desaba para R$ 5,29, menor valor em 15 meses
O dólar voltou a ser destaque no mercado financeiro ao registrar queda pelo quinto dia consecutivo, fechando em R$ 5,29 nesta terça-feira (16). O patamar representa o menor valor em 15 meses, desde junho do ano passado, quando a moeda havia encerrado o dia em R$ 5,24. O movimento trouxe alívio para importadores, turistas e empresas que dependem do câmbio, mas também reforçou a expectativa de novos desdobramentos econômicos.
O cenário ganhou ainda mais relevância porque coincidiu com a chamada Superquarta, dia marcado pelas decisões de política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A atenção redobrada dos investidores ajudou a impulsionar também a bolsa de valores, que bateu novo recorde ao alcançar 144.062 pontos. Esse desempenho consolidou a confiança de que o mercado local segue atraente para a entrada de capital estrangeiro.
Além da valorização do real e do avanço da B3, a conjuntura ainda trouxe novidades no campo do emprego. O IBGE divulgou que a taxa de desemprego caiu para 5,6% no trimestre encerrado em julho, o menor nível desde o início da série histórica em 2012. Esse conjunto de notícias positivas contribuiu para formar um ambiente de otimismo no mercado.

Superquarta define os rumos da economia e mexe com expectativas
O que mais chama atenção é que os dois principais bancos centrais do mundo começaram nesta terça suas reuniões para definir os rumos da política monetária. No Brasil, a expectativa é de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, reforçando a posição conservadora do Banco Central diante da inflação. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deve cortar os juros em 0,25 ponto percentual, sinalizando um movimento mais flexível.
Essa diferença de postura entre os dois países ajuda a explicar a valorização do real. Com os juros brasileiros ainda elevados, o mercado local se torna mais atrativo para investidores estrangeiros em busca de rentabilidade. O fluxo de dólares que entra no país pressiona a cotação para baixo, ao mesmo tempo em que fortalece a bolsa. Para o investidor comum, essa dinâmica pode refletir em crédito mais barato e em oportunidades em renda variável.
No entanto, não é apenas a decisão dos bancos centrais que influencia o humor do mercado. Nos Estados Unidos, a divulgação de dados acima do esperado sobre vendas no varejo e produção industrial mostrou que a economia segue aquecida. Esse desempenho pode limitar cortes de juros mais agressivos, algo que o próprio Fed tenta calibrar para evitar desequilíbrios.
Desemprego em queda e cenário político em destaque
Outro ponto que trouxe ânimo ao mercado foi a melhora nos indicadores do emprego no Brasil. Segundo o IBGE, 6,118 milhões de pessoas estavam sem trabalho no trimestre encerrado em julho, número considerado o menor desde 2013. O avanço reflete tanto a recuperação da atividade econômica quanto a expansão de vagas formais, com crescimento no número de trabalhadores com carteira assinada.
Economistas, no entanto, alertam que o ritmo de crescimento pode estar se acomodando. Embora os números atuais sejam positivos, há projeções de que a taxa de desemprego volte a girar em torno de 6% até o fim de 2025. Ainda assim, o mercado de trabalho segue como um dos principais motores do otimismo em relação à economia brasileira.
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Já no cenário internacional, os holofotes se voltaram para a nomeação de Stephen Miran, aliado de Donald Trump, ao conselho do Fed. A decisão aumentou a influência do ex-presidente sobre o banco central americano, levantando debates sobre a independência da instituição. Esse fator político, somado às incertezas sobre o ritmo de cortes de juros, deve continuar movimentando os mercados nas próximas semanas.
