Novo medicamento oral para obesidade apresenta resultados promissores na perda de peso
A farmacêutica Eli Lilly anunciou recentemente os resultados do estudo clínico de fase 3 ATTAIN-1, que avaliou a eficácia da orforgliprona, um novo medicamento oral para o tratamento da obesidade. Participaram da pesquisa mais de 3 mil adultos com obesidade ou sobrepeso e pelo menos uma comorbidade, mas sem diagnóstico de diabetes. Após 72 semanas de uso diário do medicamento, os participantes que receberam 36 mg de orforgliprona apresentaram uma perda média de 12,4% do peso corporal, enquanto o grupo placebo teve redução de apenas 0,9%.
“Esses resultados são muito animadores, pois indicam uma nova opção terapêutica para pacientes que sofrem com o excesso de peso e suas complicações, especialmente por ser um tratamento oral, o que facilita a adesão”, destacou a Dra. Ana Martins, endocrinologista especialista em obesidade. Segundo ela, “a orforgliprona pertence à classe dos agonistas do receptor GLP-1, já conhecida por medicamentos como a semaglutida, porém com a vantagem de não precisar ser injetada”.
A eficácia do medicamento ganhou destaque pela consistência em diferentes dosagens: cerca de 60% dos pacientes que tomaram 36 mg perderam mais de 10% do peso, enquanto aproximadamente 40% apresentaram redução superior a 15%. “Esses números representam um avanço significativo diante das terapias atualmente disponíveis e prometem melhorar o manejo clínico da obesidade”, afirmou o Dr. Carlos Pereira, pesquisador envolvido no estudo.
Outra característica importante da orforgliprona é sua composição não peptídica, o que permite que seja administrada com alimentos, sem a necessidade de jejum ou restrições específicas, diferentemente de outras opções orais da mesma classe, como o Rybelsus. Além disso, o medicamento apresentou menor incidência de efeitos colaterais gastrointestinais leves a moderados, como náuseas e diarreia.
“Para muitos pacientes, a possibilidade de evitar injeções representa um alívio e pode aumentar a continuidade do tratamento”, observou a Dra. Martins. O estudo também revelou benefícios adicionais, incluindo melhorias nos níveis de colesterol LDL, triglicerídeos e pressão arterial, reforçando seu potencial na prevenção de doenças cardiovasculares associadas à obesidade.
Apesar dos resultados animadores, a orforgliprona ainda está em fase de testes e sua comercialização depende da aprovação regulatória. Desenvolvida por uma empresa japonesa e licenciada para a Eli Lilly, a substância também está sendo analisada para o tratamento de diabetes tipo 2 e apneia do sono em pacientes com excesso de peso.
“Estamos diante de uma inovação que pode transformar o tratamento da obesidade, oferecendo uma opção prática, eficaz e segura”, concluiu o Dr. Pereira. A expectativa é que o medicamento venha a contribuir significativamente para mitigar os impactos dessa condição crônica que afeta milhões de pessoas no mundo.
