Receita apreende remédios importados ilegalmente em voo de Portugal
Servidores da Seção de Vigilância Aduaneira da Alfândega de Porto Alegre, do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, apreenderam na noite de sábado (19), 191 unidades de Mounjaro com duas passageiras de 28 anos que chegaram em Porto Alegre em um voo proveniente de Lisboa em Portugal. Elas são brasileiras, nasceram em Goiânia e atualmente residem no exterior. Ao serem questionadas pelos servidores da Receita Federal, negaram que se conhecessem.
Com uma das passageiras foram encontradas 95 unidades de canetas do medicamento e com a outra 96, totalizando 191 unidades de 15mg cada. O vencimento do lote de medicamentos é agosto de 2025, por esse motivo o custo de aquisição é inferior ao praticado no mercado.
O Mounjaro é um medicamento aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em setembro do ano passado para diabetes tipo 2. O manuseio e transporte exigem cuidados uma vez que deve ser mantido refrigerado. A importação e comercialização ilegal do Mounjaro colocam em risco a saúde da população, pois o medicamento pode não ser armazenado adequadamente e pode ser falsificado.
“A importação de medicamentos no Brasil está sujeita a regras de legislação, depende se o destino é para uso pessoal ou comercial e se há registro no país”, afirmou o chefe da Seção de Vigilância Aduaneira da Alfândega de Porto Alegre, auditor fiscal Erno Edison Cunha.

“Para o uso pessoal, dependendo do tipo de medicamento, é possível importar sem registro, desde que não contenham substâncias controladas e sejam para consumo próprio, não para comercialização. Para importação comercial, ou industrial, existem leis específicas e é necessária a autorização do Ministério da Saúde”, complementou.
Ao serem questionadas sobre a ilegalidade da operação, elas alegaram desconhecer as regras, uma vez que, segundo elas, em Londres a legislação é outra. Os medicamentos foram encaminhados à Polícia Federal para a realização dos testes de laboratório. As duas mulheres foram presas em flagrante pelos servidores da Receita Federal e conduzidas pela Polícia Federal para os trâmites legais e encontram-se à disposição da Justiça Federal.
“Essa ação faz parte dos esforços para controlar a entrada ilegal de medicamentos garantindo a segurança da população “, enfatizou Cunha. Segundo ele, a Receita Federal segue no compromisso de proteção da sociedade combatendo a importação e comércio ilegal em especial à preservação da saúde pública da população brasileira.
O que é o Mounjaro
O Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, um medicamento que “imita” a ação dos hormônios GLP-1 e GIP, substâncias produzidas naturalmente pelo organismo que regulam a saciedade e a digestão. Estimula os mesmos receptores desses hormônios e é indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e, em alguns países, obesidade.
A aplicação do medicamento é feita por injeção subcutânea no abdômen, coxa ou braço, alternando os pontos da injeção. A administração é semanal e deve seguir orientação médica. De acordo com a nutricionista e membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Juliana Saldanha, a dose é ajustada conforme a tolerância e necessidade do paciente. “O acompanhamento médico é essencial, assim como o suporte nutricional”.
