Com cerca de 2.400 quilômetros de extensão, o Rio Tocantins é um dos principais rios do Brasil. Sua importância vai além da paisagem, pois influencia a geração de energia, a economia, o transporte e a vida de milhões de pessoas.
O Rio Tocantins é um dos principais cursos d’água do Brasil e possui uma relação direta com a história, a economia e o desenvolvimento de diversas regiões do país. Com aproximadamente 2.400 quilômetros de extensão, ele é considerado o segundo maior rio totalmente brasileiro, atrás apenas do Rio São Francisco, que possui cerca de 2.800 quilômetros.
O rio nasce entre os municípios de Ouro Verde de Goiás e Petrolina de Goiás. A partir dali, segue seu curso pelo estado de Goiás e atravessa o Tocantins e o Maranhão. Depois, chega ao Pará, onde encontra sua foz nas proximidades de Belém.
Além disso, o Tocantins se conecta ao Rio Araguaia, formando uma das principais redes hidrográficas do país. A área de drenagem dos dois rios compõe a Região Hidrográfica Tocantins-Araguaia, considerada a maior bacia hidrográfica inteiramente brasileira.
Por serem rios que atravessam mais de um estado, a gestão dos recursos hídricos da região envolve a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
Rio Tocantins é essencial para geração de energia
A força das águas do Tocantins também movimenta um dos principais sistemas de geração de energia elétrica do país. Ao longo do seu curso, estão instaladas importantes usinas hidrelétricas.
Entre elas estão Serra da Mesa, Cana Brava, São Salvador, Peixe Angical, Lajeado, Estreito e Tucuruí. Juntas, essas estruturas representam um potencial de geração de aproximadamente 11.500 megawatts (MW).
Com isso, o potencial energético do Rio Tocantins ocupa a terceira maior posição entre os rios brasileiros.
Entre os reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) instalados na calha do rio, Serra da Mesa, Peixe Angical e Tucuruí possuem capacidade de regularização de vazões.
Nesse cenário, o reservatório de Serra da Mesa exerce uma função estratégica. Com volume útil de 43.250 hectômetros cúbicos (hm³), ele contribui para regularizar as vazões do Tocantins e apoiar o atendimento de diferentes usos da água.
Além disso, a operação do reservatório precisa considerar as vazões mínimas dos empreendimentos localizados rio abaixo. O planejamento também leva em conta outros usos da água, como as condições necessárias para a realização da tradicional temporada de praias.
Bacia influencia agricultura, pecuária e mineração
A importância econômica da Região Hidrográfica Tocantins-Araguaia não se limita à produção de energia. A região também possui forte presença da agropecuária, da mineração e do transporte aquaviário.
Segundo dados apresentados pela ANA, a agricultura de sequeiro ocupava cerca de 4 milhões de hectares em 2005. Já a área irrigada chegava a aproximadamente 124 mil hectares.
Além disso, a região possui potencial estimado de 5,4 milhões de hectares de solos aptos para atividades agrícolas.
A pecuária também ocupa espaço relevante na economia regional. O rebanho chegava a cerca de 27,5 milhões de cabeças, conforme os dados utilizados no levantamento.
Na mineração, por sua vez, a região abriga importantes áreas de exploração mineral. Um dos principais exemplos é a Província Mineral de Carajás, no Pará, conhecida por seus grandes depósitos de minério de ferro.
Por outro lado, o transporte aquaviário também representa uma atividade estratégica. Dessa forma, o rio contribui para a movimentação de produtos e para a integração econômica entre diferentes áreas do país.
Foto: Divulgação
Milhões de pessoas vivem na região
A Região Hidrográfica Tocantins-Araguaia também possui grande importância social. Em 2000, cerca de 7,2 milhões de pessoas viviam na região.
Naquele período, a densidade demográfica era de aproximadamente 7,8 habitantes por quilômetro quadrado. O índice ficava bem abaixo da média brasileira registrada naquele mesmo ano, de 19,94 habitantes por quilômetro quadrado.
As projeções utilizadas no levantamento estimavam que a população chegaria a 10,5 milhões de habitantes em 2025.
Assim, o crescimento populacional aumenta também a demanda por água para abastecimento, agricultura, indústria, geração de energia e outros usos.
Rio enfrenta períodos de cheia e estiagem
O clima da região apresenta dois períodos bem definidos ao longo do ano. Normalmente, a estação chuvosa ocorre entre outubro e abril. Já o período mais seco costuma acontecer entre maio e setembro.
Os meses de maio e setembro funcionam como períodos de transição. Nesse intervalo, ocorre a mudança entre a estação chuvosa e a seca.
Além disso, o trimestre entre dezembro e fevereiro costuma concentrar os maiores volumes de chuva. Nesse período, a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) favorece a ocorrência de precipitações em áreas do centro e do sudeste do Brasil.
Por outro lado, entre junho e agosto, uma massa de ar quente e seca costuma influenciar a região. Como consequência, as condições meteorológicas favorecem a estiagem.
Crises hídricas mostram importância da gestão
A bacia do Rio Tocantins também já enfrentou períodos de forte redução das chuvas e das vazões. A partir de 2015, condições hidrometeorológicas desfavoráveis afetaram a região, com registros abaixo das médias históricas.
Nos anos seguintes, a situação dificultou a recuperação dos reservatórios de acumulação. Entre eles, Serra da Mesa ganhou atenção especial devido à sua função na regularização das vazões e na geração de energia.
Em 2017, por exemplo, as vazões naturais médias anuais na região da Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa chegaram a um dos menores níveis registrados no histórico de 87 anos. Naquele ano, a média anual representou apenas 43% da média de longo termo.
Como resultado, o armazenamento do reservatório também caiu. Em novembro de 2017, Serra da Mesa atingiu o menor nível histórico até então, com apenas 5,92% do volume útil.
Os efeitos da escassez também alcançaram Tucuruí. Em 2016, pela primeira vez desde o início de sua operação, a usina não registrou vertimento.
ANA criou Sala de Crise para acompanhar a situação
Diante do cenário de escassez hídrica, a ANA criou, em agosto de 2017, a Sala de Crise da Bacia do Rio Tocantins.
A iniciativa buscou acompanhar de forma sistemática os possíveis impactos da redução da disponibilidade de água. Além disso, a estrutura promoveu articulação entre os diferentes usuários e setores que dependem dos recursos hídricos da bacia.
As reuniões ocorreram de forma quinzenal. Durante os encontros, os participantes analisavam as condições de operação dos reservatórios instalados ao longo do Tocantins.
Entre os objetivos estava a preservação dos estoques de água. Ao mesmo tempo, a gestão buscava garantir o atendimento dos diferentes usos do recurso.
Entre as medidas discutidas, destacou-se a manutenção de uma vazão mínima de 744 metros cúbicos por segundo (m³/s) abaixo da Usina Hidrelétrica de Estreito. A medida buscava garantir a captação de água para o abastecimento de Imperatriz, no Maranhão.
Além disso, a operação de Serra da Mesa considerou uma vazão defluente mínima de 300 m³/s, conforme as condições estabelecidas pela Resolução ANA nº 529/2004.
Um rio que vai muito além das fronteiras
A história do Rio Tocantins mostra como um curso d’água pode influenciar diferentes áreas ao mesmo tempo. Suas águas abastecem comunidades, movimentam a produção, ajudam a gerar energia e sustentam atividades econômicas.
Ao mesmo tempo, o rio exige planejamento constante. Afinal, a disponibilidade de água interfere diretamente na geração de energia, na agricultura, no abastecimento e em outras atividades.
Por isso, a gestão da bacia Tocantins-Araguaia depende do equilíbrio entre diferentes interesses. Dessa maneira, preservar os recursos hídricos e acompanhar as condições climáticas se torna fundamental para garantir que o rio continue desempenhando seu papel estratégico no desenvolvimento do Brasil.
Redatora freelance para o portal Surgiu, com atuação em produção, edição e gestão de conteúdo. Possui domínio de ferramentas de criação, revisão e publicação de textos, com foco em qualidade, clareza e engajamento.