Cantor revela que perdeu R$ 800 mil em apostas e faz alerta: “Acabei com a minha vida”
O cantor Victor Custódio Gomes, conhecido artisticamente como Vittim, usou as redes sociais para relatar a luta contra o vício em apostas esportivas e jogos de cassino. Aos 23 anos, o artista, morador de Ipu, no interior do Ceará, afirmou que perdeu cerca de R$ 800 mil ao longo de cinco anos de dependência.
Em um vídeo publicado na internet, Vittim fez um desabafo sobre os impactos que o vício provocou em sua vida financeira, profissional e familiar. “É um vício desgraçado, um vício que parece que não tem fim. Eu acabei com a minha vida em apostas esportivas, apostas de cassino”, declarou.

Vício começou em apostas presenciais
Segundo o cantor, o contato com as apostas começou em estabelecimentos físicos e, posteriormente, migrou para as plataformas on-line, que se popularizaram no Brasil.
No início, os ganhos incentivaram a continuidade das apostas. Com o tempo, porém, as perdas passaram a se acumular.
“No começo foi muito bom. A gente ganha muito. Mas depois, quando começa a perder, você perde de uma vez”, contou.
Vittim revelou que chegou a utilizar todo o dinheiro recebido pelos shows para continuar apostando.
“Todo lucro do meu show eu pegava e já gastava. Terminava meu show, pegava e ia jogar.”
Equipamentos foram vendidos para alimentar o vício
O artista contou que, durante o período mais crítico da dependência, vendeu instrumentos e equipamentos profissionais por valores muito abaixo do mercado para conseguir dinheiro.
Além disso, afirmou que deixou de cumprir compromissos financeiros e atrasou pagamentos da própria banda.
“Eu gastava o dinheiro dos compromissos e colocava tudo em jogo. Às vezes deixava os músicos sem receber para pegar o dinheiro e jogar”, disse.
Segundo Vittim, o vício também abalou amizades, a relação com familiares e o afastou do irmão, que era produtor de sua carreira.
Momento em que percebeu o problema
O cantor afirmou que percebeu que havia perdido o controle quando utilizou o dinheiro reservado para uma turnê no Rio de Janeiro para apostar.
Mesmo após viajar, continuou jogando todo o dinheiro recebido pelos shows.
Foi então que decidiu contar o problema para familiares, amigos e para a namorada, além de procurar acompanhamento psicológico.
Hoje, segundo ele, recebe apoio da família e conseguiu restringir o próprio acesso às plataformas de apostas.

Tratamento e rede de apoio
Especialistas alertam que a dependência em apostas pode provocar alterações semelhantes às observadas em pessoas com vício em álcool e outras drogas.
Segundo o psicólogo Magnum Freire Nobre, o comportamento ativa o sistema de recompensa do cérebro, favorecendo a compulsão e dificultando o controle dos impulsos.
No Brasil, pessoas que enfrentam problemas com apostas podem buscar atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e também pelo teleatendimento em saúde mental.
Outra alternativa é o grupo Jogadores Anônimos (JA), que oferece reuniões presenciais e virtuais para pessoas que desejam abandonar o vício.
