Água deixa de ser tema ambiental e passa a definir estratégia da mineração no Cerrado
Em meio ao avanço das mudanças climáticas e à crescente pressão sobre a disponibilidade hídrica, a gestão da água tornou-se uma variável estratégica para a mineração. Na unidade Almas (TO), a Aura já recircula aproximadamente 60% da água captada em seu processo produtivo e realizou 187 análises da qualidade da água ao longo de 2025, refletindo uma tendência que ganha força no setor: transformar a segurança hídrica em um fator de competitividade e resiliência operacional.
Na operação de Almas, a água utilizada no beneficiamento do minério é reaproveitada em diferentes etapas do processo. O rejeito enviado à barragem é composto por partes iguais de sólidos e líquidos e, após a deposição do material sólido, a água é captada por bombas e reinserida no processo produtivo, sem descarte de efluentes no ambiente. A unidade também acompanha continuamente a qualidade da água por meio de 18 pontos de monitoramento — 13 superficiais e cinco subterrâneos — distribuídos na mina.

Esse cenário tem ampliado a demanda por profissionais especializados em engenharia ambiental, hidrologia e gestão de recursos naturais. Entre eles está Luiza Murta Gatti, engenheira ambiental da Aura na unidade Almas, que atua na gestão ambiental da operação e acompanha iniciativas voltadas ao monitoramento dos recursos hídricos e ao uso eficiente da água.
Natural de Itabirito (MG), município historicamente ligado à mineração, Luiza escolheu a Engenharia Ambiental para atuar justamente na conciliação entre mineração, conservação ambiental e desenvolvimento regional.
“Atuar com gestão ambiental e recursos hídricos representa um grande desafio, mas também uma oportunidade de contribuir para que a mineração seja cada vez mais sustentável. Acredito que o equilíbrio entre produção, preservação ambiental e desenvolvimento social é o caminho para garantir que os recursos naturais sejam utilizados de forma responsável e deixem um legado positivo para as próximas gerações”, afirma.
A experiência da engenheira foi apresentada durante o V Fórum Mulheres das Águas, realizado em Natividade (TO), encontro que reuniu representantes do setor produtivo, poder público, academia e sociedade civil para discutir os desafios da governança hídrica no Tocantins e o papel das mulheres em áreas técnicas ligadas ao desenvolvimento sustentável.
Água como fator estratégico
Segundo Luiza, a gestão hídrica exige uma visão integrada sobre o uso dos recursos naturais e seus impactos para a região. “Preservar o Rio Manuel Alves significa também proteger córregos, nascentes, águas subterrâneas e todo o ecossistema que depende dele. Cuidar da água é garantir qualidade de vida para as comunidades, conservar a biodiversidade do Cerrado e assegurar esse recurso para as futuras gerações.”
Liderança técnica em transformação
A evolução da agenda ambiental também vem alterando o perfil dos profissionais que ocupam funções estratégicas na mineração. Embora as mulheres representem 22% da força de trabalho do setor, segundo levantamento da Women in Mining Brasil (WIM Brasil), cresce sua participação justamente em áreas ligadas à engenharia, geologia, meio ambiente e gestão hídrica, responsáveis por apoiar decisões críticas para a adaptação das operações aos desafios climáticos.
Para Luiza, ampliar a presença feminina nesses espaços fortalece a capacidade de inovação das equipes e amplia as perspectivas na tomada de decisão. “A engenharia ambiental conecta diferentes interesses em torno de um mesmo recurso. Quando mais mulheres ocupam esses espaços, ampliamos a diversidade de visões e fortalecemos a construção de soluções inovadoras para desafios complexos.”
Na Aura, a gestão dos recursos naturais integra a estratégia de sustentabilidade da companhia e combina tecnologia, monitoramento ambiental e diálogo permanente com os diferentes atores do território. Na própria unidade de Almas, onde Luiza atua, a gestão inteligente se traduz na prática por meio da recirculação hídrica em circuito fechado e no uso pioneiro de Inteligência Artificial (IA) para otimizar o consumo de energia na planta de processamento.
A experiência apresentada em Natividade reforça uma transformação que ganha espaço na mineração brasileira: diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, a água deixa de ser apenas um insumo operacional para se consolidar como um dos principais fatores de resiliência, competitividade e desenvolvimento sustentável do setor.
Sobre a Aura
A Aura é uma empresa focada no desenvolvimento e operação de projetos de ouro e metais básicos nas Américas. A Companhia possui seis minas em operação, incluindo a mina de ouro Minosa, em Honduras; as minas de ouro Apoena, Almas, Borborema e Mineração Serra Grande, no Brasil; e a mina de cobre-ouro-prata Aranzazu, no México. Além disso, a Companhia possui Era Dorada, um projeto de ouro na Guatemala, e dois projetos no Brasil: Matupá, em desenvolvimento, e o projeto de cobre Carajás, na fase de exploração.
