Demanda por médicos nos EUA segue alta, mas planejamento migratório ainda é decisivo
O mercado de saúde dos Estados Unidos continuará oferecendo oportunidades para profissionais nos próximos anos. Segundo projeções do U.S. Bureau of Labor Statistics, o país deverá abrir cerca de 1,9 milhão de vagas anuais entre 2024 e 2034.
Nesse cenário, aumenta o interesse de médicos brasileiros por programas de residência, fellowship e treinamentos clínicos. No entanto, especialistas alertam que o planejamento migratório continua sendo fundamental para quem deseja construir carreira no país.
Regra dos dois anos ainda vale para muitos médicos

Recentemente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos retirou o Brasil da Exchange Visitor Skills List. Com isso, uma das hipóteses de aplicação da chamada “regra dos dois anos” deixou de valer para alguns participantes do visto J-1.
Entretanto, a mudança não alterou a situação da maioria dos médicos que participam de programas de residência médica, fellowship e Graduate Medical Education (GME).
Segundo o advogado de imigração Murtaz Navsariwala, muitos profissionais interpretaram a alteração de forma equivocada.
“A retirada do Brasil da Skills List eliminou apenas uma das hipóteses de aplicação da regra dos dois anos. Porém, médicos que participam de programas de Graduate Medical Education continuam sujeitos a essa exigência por outro fundamento legal”, explicou.
Planejamento influencia o futuro profissional
A regra dos dois anos exige que determinados participantes do visto J-1 retornem ao país de origem antes de solicitar residência permanente ou mudar para alguns tipos de visto, como H-1B e L-1. Ainda assim, existem exceções previstas na legislação.
Além disso, essa exigência pode ocorrer por diferentes motivos, como financiamento governamental ou participação em determinados programas de treinamento médico.
Para o especialista, muitos brasileiros concentram esforços apenas na validação do diploma e na aprovação dos exames americanos.
Por outro lado, a estratégia migratória também influencia diretamente as oportunidades futuras de permanência e atuação profissional nos Estados Unidos.
Visto H-1B pode ser alternativa
O visto J-1 continua sendo a principal porta de entrada para médicos estrangeiros. Além disso, a maior parte dos programas de residência utiliza o patrocínio da Educational Commission for Foreign Medical Graduates (ECFMG).
Já alguns profissionais procuram programas que patrocinem o visto H-1B. Essa modalidade oferece maior flexibilidade para quem pretende buscar residência permanente futuramente.
Segundo Murtaz, nem todos os programas disponibilizam esse tipo de visto. Por isso, o processo costuma ser mais competitivo.
Existem opções de dispensa

Para médicos sujeitos à regra dos dois anos, existem mecanismos conhecidos como waivers. Entre eles, destaca-se o Conrad 30 Waiver, destinado a profissionais que aceitam atuar em regiões com escassez de médicos.
Além disso, também podem existir pedidos baseados em dificuldade extrema, risco de perseguição ou interesse de órgãos governamentais americanos.
O advogado ressalta que cada situação deve ser analisada individualmente.
“Existe uma percepção equivocada de que a retirada do Brasil da Skills List beneficiou automaticamente todos os médicos brasileiros com visto J-1. Na prática, cada caso exige uma análise específica”, afirmou.
Especialista recomenda planejamento desde o início
Especialistas orientam que o planejamento migratório seja feito antes mesmo da candidatura aos programas de residência médica.
Dessa forma, além da preparação acadêmica e dos exames, o profissional também consegue avaliar qual categoria de visto atende melhor aos seus objetivos.
Segundo Murtaz Navsariwala, decisões tomadas no início da carreira podem influenciar a permanência e o desenvolvimento profissional nos Estados Unidos durante muitos anos.
