Fraude de R$ 813 milhões via Pix expõe riscos ocultos da terceirização tecnológica

A maior fraude cibernética já registrada no Brasil reforça a necessidade de monitoramento contínuo de fornecedores e sistemas integrados.
A fraude de R$ 813 milhões realizada por meio do Pix, apontada como o maior roubo cibernético da história do Brasil, acendeu um alerta para empresas de todos os segmentos. O episódio envolveu a invasão de uma prestadora de serviços tecnológicos ligada ao sistema financeiro nacional e, consequentemente, evidenciou um risco crescente: a vulnerabilidade causada por fornecedores terceirizados.
Além do impacto financeiro, o caso mostrou que a segurança digital não depende apenas dos sistemas internos das organizações. Atualmente, integrações, credenciais de acesso, APIs e plataformas operadas por terceiros fazem parte da estrutura de proteção das empresas. Dessa forma, qualquer falha externa pode gerar reflexos diretos nos negócios.
Segurança depende de todo o ecossistema digital
Segundo Thiago Trincas, CEO da Seconds, o mercado vive uma nova realidade. Isso porque as empresas dependem cada vez mais de parceiros tecnológicos para manter suas operações funcionando.
“Hoje, qualquer empresa digital é tão segura quanto o ecossistema que ela conecta ao próprio negócio”, afirma.
De acordo com o executivo, muitas organizações acreditam que a contratação de fornecedores homologados transfere automaticamente os riscos operacionais. No entanto, a responsabilidade pela segurança continua compartilhada. Além disso, o monitoramento desses parceiros deve ocorrer de forma permanente.
“Contrato não substitui governança. Homologação não substitui auditoria contínua”, destaca.
Fornecedores podem se tornar alvos estratégicos
Especialistas em cibersegurança alertam que criminosos normalmente procuram o caminho mais fácil para acessar sistemas corporativos. Por isso, fornecedores e integrações costumam se transformar em portas de entrada para ataques.
Além disso, o risco vai muito além do setor financeiro. Empresas de e-commerce, marketplaces, logística, sistemas de gestão e plataformas de pagamento também enfrentam desafios semelhantes. Nesse cenário, a atenção com parceiros tecnológicos torna-se ainda mais importante.
Para Trincas, a gestão de acessos e permissões deve fazer parte da rotina corporativa. Afinal, credenciais mal administradas podem ampliar significativamente a exposição a ameaças.
“Quando uma operação movimenta milhares de pedidos, anúncios e dados estratégicos, segurança precisa nascer junto com o produto, o processo e a cultura da empresa”, explica.
ISO 27001 ganha protagonismo
Além dos cuidados operacionais, o especialista destaca a importância da certificação ISO/IEC 27001, considerada uma das principais referências globais em gestão da segurança da informação.
A norma estabelece critérios para identificação de riscos, controle de acessos, auditorias periódicas e melhoria contínua dos processos. Dessa maneira, as empresas conseguem criar mecanismos mais eficientes de prevenção e resposta.
Entre as práticas recomendadas estão:
- Autenticação multifator;
- Revisão periódica de usuários;
- Controle de acessos privilegiados;
- Trilhas de auditoria;
- Gestão de fornecedores;
- Planos de resposta a incidentes.
Segundo Trincas, a adoção dessas medidas reduz significativamente as chances de falhas humanas provocarem prejuízos operacionais. Além disso, fortalece a governança e aumenta a capacidade de reação diante de incidentes.
Governança digital deixa de ser diferencial
Além das perdas financeiras, ataques cibernéticos podem causar danos à reputação das empresas e comprometer a confiança dos clientes. Por consequência, os impactos podem se estender por anos.
Por isso, especialistas avaliam que governança digital, rastreabilidade e monitoramento contínuo deixarão de ser diferenciais competitivos para se tornarem exigências básicas do mercado. Ao mesmo tempo, clientes e investidores tendem a cobrar mais transparência das organizações.
Na avaliação do CEO da Seconds, as empresas precisarão analisar não apenas preços e funcionalidades ao contratar parceiros tecnológicos, mas também a forma como eles protegem dados, controlam acessos e respondem a incidentes. Dessa forma, será possível reduzir riscos e aumentar a confiabilidade das operações.
“O próximo diferencial competitivo será provar que a tecnologia é operada com controle, rastreabilidade e responsabilidade”, conclui.
Sobre a Seconds
Fundada em 2018, em Curitiba (PR), a Seconds desenvolve soluções voltadas à gestão e inteligência de vendas em marketplaces. Além disso, a empresa oferece ferramentas de automação, análise de dados e suporte especializado para vendedores digitais.
