Semarh e Cemaden avançam em cooperação para enfrentar as mudanças climáticas no Tocantins
Com a participação da pesquisadora e diretora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Regina Alvalá, o Governo do Tocantins realizou, na manhã desta segunda-feira, 25, a 2ª Reunião Ordinária do Comitê Gestor de Enfrentamento às Mudanças Climáticas (CGEMC), juntamente com a 19ª Reunião Ordinária do Fórum Estadual de Mudanças Climáticas (FEMC). O encontro ocorreu na sede da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, em Palmas.
A reunião teve como foco apresentar as ações desenvolvidas pelo Cemaden aos integrantes do FEMC e do CGEMC. Além disso, o encontro promoveu a troca de informações entre as instituições e discutiu possíveis parcerias para fortalecer o Tocantins nas áreas de monitoramento de riscos, emissão de alertas e prevenção de impactos provocados por desastres naturais. Ao mesmo tempo, os participantes debateram medidas para ampliar a preparação do Estado diante dos efeitos das mudanças climáticas.

Cooperação para enfrentar mudanças climáticas
O secretário Marcello Lelis, presidente do Comitê Gestor, conduziu a programação e destacou a importância da presença da diretora do Cemaden no Estado. Segundo ele, a participação da pesquisadora amplia as possibilidades de cooperação técnica para enfrentar os impactos das mudanças climáticas no Tocantins. Dessa maneira, o Governo do Estado busca fortalecer ações preventivas e ampliar o acesso a informações estratégicas. Além disso, a aproximação entre os órgãos pode facilitar o desenvolvimento de projetos conjuntos na área ambiental.
Durante a apresentação, Regina Alvalá chamou atenção para a Nota Técnica nº 645/2026, publicada pelo Cemaden na última sexta-feira, 22. De acordo com o documento, houve aumento contínuo da frequência de ondas de calor no Brasil nas últimas quatro décadas. Além disso, os eventos extremos se intensificaram em todos os estados brasileiros desde o início dos anos 2000 e podem se agravar durante o fenômeno El Niño previsto para o biênio 2026-2027. Por isso, especialistas reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à adaptação climática.
A pesquisadora também alertou para possíveis impactos no Tocantins, como seca severa, temperaturas elevadas e aumento dos riscos de incêndios florestais. Ao mesmo tempo, ela mencionou outros eventos extremos registrados em diferentes regiões do país, entre eles o excesso de chuvas no Sul do Brasil. Dessa forma, o Cemaden defende o fortalecimento das ações preventivas em nível estadual e municipal.
Monitoramento de incêndios florestais
Regina Alvalá apresentou ainda o trabalho desenvolvido pelo Cemaden no monitoramento de incêndios florestais, uma das principais ocorrências ambientais registradas no Tocantins. Segundo ela, o sistema permite antecipar cenários de risco e auxiliar os estados na tomada de decisões. Além disso, as previsões contribuem para ações preventivas e planejamento das equipes ambientais. Com isso, os órgãos responsáveis conseguem agir de forma mais rápida diante de situações críticas.
“Nós geramos informações sobre o risco do fogo antes mesmo que ele aconteça, considerando cenários e riscos de incêndios a partir de modelos meteorológicos. Avaliamos condições propícias para ocorrência do fogo, como altas temperaturas, velocidade do vento e baixa umidade relativa do ar. Essas previsões são disponibilizadas no nosso site e estão acessíveis também para o Estado do Tocantins”, explicou.
O Cemaden foi criado em 2011, após os desastres registrados na região serrana do Rio de Janeiro. Desde então, o órgão atua no monitoramento de riscos naturais e na emissão de alertas para prevenção de desastres em todo o país. Além disso, o centro desenvolve estudos técnicos voltados à redução de impactos ambientais e sociais.
Integração entre instituições
Durante a reunião, os participantes discutiram a possibilidade de integração entre o Centro de Inteligência Geográfica em Gestão do Meio Ambiente (Cigma) e o Cemaden. Além disso, o encontro abordou propostas de intercâmbio para capacitação de técnicos da Semarh em cursos de pós-graduação voltados à gestão de desastres naturais. Dessa maneira, o Estado pretende ampliar a qualificação dos profissionais que atuam na área ambiental.
Para a superintendente de Gestão de Políticas Públicas Ambientais da Semarh, Marli Santos, a aproximação entre as instituições representa um avanço importante para o Estado. Segundo ela, a parceria poderá ampliar o desenvolvimento de estratégias voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas. Além disso, a cooperação técnica pode fortalecer a elaboração de estudos e projetos ambientais.
“O Cemaden é um centro de referência mundial e é muito importante para o Tocantins a possibilidade dessa parceria. Agora precisamos discutir como iremos estruturar esse trabalho conjunto”, afirmou.
Plano de adaptação climática
Outro tema apresentado durante o encontro foi o programa Adapta Cidades. Nesse contexto, a iniciativa reforça a importância da elaboração dos Planos Municipais de Adaptação às Mudanças Climáticas e do Plano Estadual de Adaptação. Esses instrumentos são considerados fundamentais para reduzir os impactos climáticos no Tocantins e ampliar a capacidade de resposta dos municípios.
Além disso, os participantes defenderam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à prevenção de eventos extremos. Com isso, o Estado pretende fortalecer ações de adaptação climática em diferentes regiões tocantinenses. Ao mesmo tempo, as instituições pretendem ampliar o diálogo com municípios e órgãos de pesquisa.

Nova composição da Câmara Técnica
Durante a reunião, também foram definidos os órgãos que irão compor a Câmara Temática Permanente de Pesquisas em Mudanças Climáticas no biênio 2026/2028.
Passam a integrar a Câmara Técnica as seguintes instituições:
- Ministério Público do Tocantins (MPTO);
- Secretaria de Estado da Educação (Seduc);
- Universidade Estadual do Tocantins (Unitins);
- Universidade Federal do Tocantins;
- UniCatólica do Tocantins;
- Semarh.
Além da definição dos integrantes, o encontro reforçou a importância da integração entre órgãos públicos, universidades e instituições de pesquisa. Dessa forma, o Estado pretende fortalecer estudos e políticas públicas voltadas às mudanças climáticas. Consequentemente, o Tocantins busca ampliar sua capacidade de prevenção e resposta diante de eventos climáticos extremos.
