Onda de recuperações judiciais ameaça indenizações trabalhistas e pode reduzir interesse de empresas na compra de processos
O avanço das recuperações judiciais e extrajudiciais no Brasil preocupa trabalhadores que aguardam decisões da Justiça do Trabalho. Nos últimos meses, empresas de grande porte, como Raízen e Grupo Pão de Açúcar, recorreram à reorganização financeira para renegociar bilhões em dívidas. Com isso, especialistas alertam para possíveis atrasos no pagamento de indenizações trabalhistas.
Segundo dados do Indicador de Falência e Recuperação Judicial da Serasa Experian, o Brasil registrou 638 novos pedidos de recuperação judicial nos primeiros meses de 2025. Além disso, o país bateu recorde em 2024, quando 2.273 empresas solicitaram recuperação judicial. Dessa forma, o número representou aumento de 61,8% em relação a 2023.

Diante desse cenário, trabalhadores com ações em andamento enfrentam mais incertezas. Isso ocorre porque empresas em crise financeira costumam renegociar dívidas e alongar prazos de pagamento. Portanto, especialistas recomendam atenção redobrada aos processos em andamento.
Empresas em recuperação podem atrasar indenizações
Segundo Herbert Camilo, CEO da Anttecipe.com, a recuperação judicial reúne todas as dívidas da empresa em um plano aprovado pelos credores e validado pela Justiça.
“Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia diretamente com os credores. Ainda assim, o processo também depende de homologação judicial. Em ambos os casos, a situação indica dificuldades financeiras relevantes”, explica.
Além disso, o processo pode suspender cobranças e execuções temporariamente. Em muitos casos, a empresa parcela débitos e altera a ordem de prioridade dos pagamentos. Assim, trabalhadores podem esperar mais tempo para receber valores reconhecidos pela Justiça.
“Os credores enfrentam descontos e prazos maiores. Já o trabalhador com ação em andamento deve ligar o sinal de alerta, porque o recebimento pode demorar ainda mais”, afirma Camilo.
Mercado de crédito judicial também enfrenta cautela
O aumento das recuperações judiciais também afeta o mercado de cessão de crédito judicial, conhecido popularmente como venda do processo trabalhista.
Nesse modelo, empresas especializadas compram o direito de receber valores futuros de ações judiciais. No entanto, o crescimento das empresas em crise elevou o risco dessas operações. Por isso, compradores passaram a analisar os processos com mais cautela.
“Com mais empresas em recuperação judicial, as ações trabalhistas apresentam maior risco. Para quem compra créditos judiciais, a saúde financeira da empresa é decisiva para garantir o pagamento”, comenta o CEO.
Além disso, especialistas afirmam que trabalhadores podem encontrar menos interessados na compra desses créditos. Isso acontece principalmente quando a empresa devedora já apresenta dificuldades financeiras. Consequentemente, muitos profissionais buscam alternativas para antecipar valores de forma segura.
Venda do processo trabalhista é prevista em lei
A cessão de crédito judicial possui previsão no artigo 286 do Código Civil. Dessa maneira, a modalidade permite que o trabalhador receba parte do valor antecipadamente. Em troca, ele transfere o direito de recebimento para uma empresa especializada.
Segundo Herbert Camilo, a alternativa reduz riscos para quem não deseja esperar anos pelo fim do processo.
“A venda do processo trabalhista oferece mais segurança para quem teme não receber no futuro. Além disso, a Anttecipe.com consegue pagar até 80% do valor líquido em até 24 horas após a assinatura do contrato”, destaca.
Sobre a Anttecipe.com
A Anttecipe.com compra processos trabalhistas, precatórios e oferece empréstimos com garantia de crédito judicial. Além disso, a empresa informa que atua há mais de 20 anos no mercado financeiro e jurídico.
Segundo a companhia, mais de 4 mil clientes já utilizaram os serviços. Da mesma forma, a empresa afirma que negociou mais de R$ 180 milhões em créditos judiciais.
