Cuidadoras escolares lotam Câmara de Barreiras e ameaçam greve por salários e condições de trabalho

Centenas de cuidadoras escolares lotaram a Câmara Municipal de Barreiras na noite desta quarta-feira (6) durante uma audiência pública marcada por denúncias, emoção e cobranças por valorização profissional. Além disso, a categoria ameaçou entrar em greve caso o município não apresente reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho.
O encontro discutiu a valorização das cuidadoras escolares, responsáveis pelo acompanhamento de alunos com deficiência e necessidades especiais na rede municipal. Muitas profissionais chegaram diretamente do trabalho e relataram jornadas exaustivas, adoecimento físico e emocional, além de perseguições dentro das escolas.
Atualmente, as cuidadoras recebem apenas um salário mínimo para jornadas de 40 horas semanais. Além disso, denunciaram atraso no pagamento do terço de férias, benefício garantido por lei.
“Se não aumentar o salário, vamos fazer greve”, afirmou uma trabalhadora durante a audiência, sendo aplaudida pelas colegas.
Cuidadoras relatam adoecimento e assédio nas escolas
Durante os depoimentos, várias profissionais relataram problemas de saúde provocados pela rotina intensa de trabalho. Uma cuidadora afirmou ter desenvolvido fibromialgia crônica devido à sobrecarga física e emocional.
Além disso, ela denunciou ameaças após cobrar materiais adaptados para os alunos atendidos.
Outra profissional relatou dificuldades para acompanhar o próprio filho especial em consultas médicas. Segundo ela, a gestão escolar teria dificultado sua saída para atendimento familiar.
As denúncias também incluíram agressões sofridas em sala de aula. Conforme os relatos, muitas cuidadoras afirmam não receber suporte adequado da rede municipal.
Enquanto isso, críticas à influência política na administração escolar também marcaram a audiência pública.
Vereadora propõe criação de cargo efetivo para cuidadoras
Diante das reivindicações, a vereadora Delmah Pedra apresentou a Indicação nº 547/2026, que pede a criação do cargo efetivo de cuidador escolar no município.
A proposta prevê concurso público para substituir os contratos temporários do modelo REDA. Segundo a parlamentar, a medida busca garantir estabilidade profissional e fortalecer o vínculo entre cuidadoras e estudantes.
Além disso, a indicação cita entendimento recente do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), que considera irregular a ausência de cargos efetivos para funções permanentes.
A proposta também se baseia na Lei Brasileira de Inclusão e na Lei Berenice Piana, que garantem suporte especializado a estudantes com deficiência.
Rede municipal enfrenta aumento na demanda por inclusão
Segundo representantes da Associação de Amigos dos Autistas (AMA), Barreiras atende atualmente quase 2 mil alunos na educação especial. Em 2021, o número era de 633 estudantes.
Por isso, cuidadoras alertam para a necessidade urgente de ampliar o quadro profissional e melhorar as condições de trabalho.
Além disso, parlamentares criticaram a ausência do prefeito, do secretário municipal de Educação e de vereadores da base governista durante a audiência pública.
“Sem cuidador, o discurso de inclusão vira propaganda enganosa”, afirmou a vereadora Carmélia da Mata.
