O Tocantins iniciou a fase piloto de um projeto que pretende permitir o rastreamento individual de bovinos desde o nascimento até o abate. Com isso, a iniciativa pode mudar a forma como o rebanho é monitorado no estado e gerar impactos positivos para produtores, consumidores e o mercado internacional.
A Agência de Defesa Agropecuária (Adapec) conduz a ação como parte de um plano nacional coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, com previsão de implantação entre 2025 e 2032. No estado, equipes já realizam testes em propriedades selecionadas para ajustar o modelo antes da expansão.
Atualmente, o Tocantins abate mais de 1,4 milhão de bovinos por ano e produz mais de 380 mil toneladas de carne. Além disso, cerca de um terço dessa produção segue para exportação. Dessa forma, o novo sistema busca reforçar o controle sanitário e atender às exigências de mercados internacionais.
Como vai funcionar na prática
Em entrevista, o diretor de defesa, inspeção e sanidade animal da Adapec, Márcio Rezende, explicou que o sistema permitirá acompanhar todo o histórico do animal.
“A rastreabilidade permite identificar o caminho da carne que chega ao mercado até a fazenda onde o animal nasceu”, afirmou.
Segundo ele, o projeto piloto também ajudará o estado a identificar custos, desafios e necessidades para a implantação definitiva. Além disso, o processo deve orientar a criação de regras e estratégias para a execução do modelo. “Esse projeto vai mostrar os gargalos e subsidiar a construção das legislações”, destacou.
Tecnologia na identificação
O novo modelo substituirá o controle por lotes pela identificação individual. Assim, cada animal receberá dispositivos próprios com informações específicas.
“Nós vamos utilizar um brinco, uma bandeira visual e um botão com dispositivo eletrônico para leitura”, detalhou Rezende.
Os produtores fixarão os itens na orelha dos animais e, ao mesmo tempo, registrarão dados ao longo da vida, como movimentações, manejo e histórico sanitário.
O que muda para produtores e consumidores
Com a mudança, o sistema trará mais controle sobre o rebanho. Atualmente, os produtores monitoram os animais por lote. No entanto, cada bovino passará a ter um número único, semelhante a um CPF.
“O produtor passa a ter mais informações sobre o sistema produtivo, como ganho de peso e índices reprodutivos”, afirmou o diretor.
Além disso, o modelo aumenta a segurança para o consumidor final e facilita a atuação dos órgãos de controle, principalmente em casos de doenças. Por isso, a medida ganha ainda mais relevância após o reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação.
Implantação será gradual
Inicialmente, o produtor poderá aderir ao sistema de forma voluntária. No entanto, o governo pretende tornar a identificação obrigatória a partir de 2027.
“A partir de 2027, todas as bezerras na idade de vacinação contra a brucelose deverão receber identificação individual”, explicou Rezende.
No Tocantins, a proposta também inclui a ampliação da exigência para machos. Dessa maneira, o governo pretende implementar o sistema de forma gradual. A expectativa é que, em até cinco anos, entre 80% e 90% do rebanho esteja identificado.