Milei anuncia reforma eleitoral, mira fim das primárias e tenta destravar ficha limpa

O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta terça-feira (21) que enviará ao Congresso, na quarta-feira (22), um projeto de reforma eleitoral. Segundo o governo e a imprensa argentina, a proposta inclui o fim das primárias abertas, simultâneas e obrigatórias, mudanças no financiamento das campanhas e a adoção do mecanismo de ficha limpa.
Em publicação nas redes sociais, Milei afirmou que a medida representa o fim da “impunidade” e da “farsa”. O anúncio reforça uma agenda de reformas estruturais que o presidente já havia antecipado no início do ano, quando disse que pretendia avançar em mudanças institucionais e políticas ao longo de 2026.
O ponto mais sensível da proposta é justamente a tentativa de extinguir as PASO, como são conhecidas as primárias argentinas. A resistência de setores da oposição e de partidos fragmentados tem dificultado o avanço dessa ideia, já que muitos grupos veem o mecanismo como essencial para organizar candidaturas antes das eleições de 2027.
Para tentar ampliar apoio político, o governo decidiu incluir no texto a chamada ficha limpa. De acordo com as informações divulgadas até agora, a medida busca impedir candidaturas de pessoas que estejam legalmente excluídas do cadastro eleitoral, dentro de um pacote mais amplo de mudanças no sistema político.
Outro ponto citado pela imprensa argentina é a chamada política de “recomeço”, que permitiria a reorganização de partidos em crise sob novas siglas. A iniciativa aparece como tentativa de negociação com setores oposicionistas e pode ser usada pelo governo para reduzir resistências ao restante da reforma.
Segundo a imprensa local, a estratégia do governo é enviar primeiro o projeto ao Senado, onde o Palácio do Planalto argentino vê ambiente mais favorável para construir maioria. Ainda assim, o cenário segue incerto, principalmente por causa da disputa em torno do futuro das primárias.
