Chefe eleitoral do Peru renuncia em meio a pressão, atraso na apuração e disputa acirrada por vaga no segundo turno

O chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru, Piero Corvetto Salinas, renunciou ao cargo nesta terça-feira (21), em meio à crescente pressão provocada pelo atraso na divulgação dos resultados das eleições gerais de 12 de abril. A saída ocorre após dias de críticas, acusações de fraude sem comprovação e questionamentos sobre falhas logísticas no processo.
Corvetto já havia reconhecido problemas operacionais na eleição, mas negava irregularidades no sistema de votação. Mesmo assim, a demora na apuração alimentou cobranças por sua substituição e ampliou a tensão política no país. Observadores da União Europeia, porém, afirmaram não ter encontrado evidências de fraude no pleito peruano.
A crise se agravou porque as autoridades eleitorais começaram a revisar milhares de cédulas contestadas por inconsistências, falta de informações e erros em folhas de contagem. Esse procedimento atrasou ainda mais o fechamento oficial do primeiro turno. Segundo o Júri Nacional de Eleições, o resultado final deve ser conhecido até 15 de maio.
Com quase 94% das cédulas apuradas, Keiko Fujimori aparece na liderança com cerca de 17% dos votos. A disputa pela segunda vaga no segundo turno segue apertada entre o congressista de esquerda Roberto Sánchez, com 12,0%, e o ultraconservador Rafael López Aliaga, com 11,9%, diferença de cerca de 14 mil votos.
Na carta de renúncia, Corvetto afirmou que sua saída busca ajudar a restaurar a confiança pública antes do segundo turno, marcado para 7 de junho. A renúncia acontece em um cenário de forte instabilidade política e de crescente pressão sobre as instituições eleitorais do país.
