“Só quero dormir em paz”: dor e espera por cirurgia marcam luta de pedreiro no Tocantins

As dores causadas por um lipoma — tumor benigno que cresce no lado esquerdo do pescoço — e a longa espera por cirurgia deram lugar à esperança para o pedreiro Rosevel Ferreira Pereira, de 63 anos.
Ele participou, nesta terça-feira (7), de uma audiência judicial durante mutirão realizado no Fórum de Palmas, com apoio do Ministério Público do Tocantins.
Dor constante e rotina marcada pelo sofrimento
No local, Rosevel mostrou as lesões na pele e relatou queda de cabelo, que associa ao desgaste emocional. Além disso, explicou que a dor se intensifica durante a noite.
“De dia ainda vai… mas à noite não tem como. A garganta trava, dá pressão no ouvido… eu não consigo dormir”, desabafou.
Com o avanço do problema, ele perdeu a rotina de trabalho e passou a enfrentar dificuldades financeiras. Por isso, a situação impacta diretamente sua família.
“Tenho quatro filhos, aluguel pra pagar… não sei mais o que fazer. Eu só quero sair daqui com a cirurgia marcada”, afirmou.
Família acompanha de perto a luta
Ao lado dele, a esposa Natália Pereira de Abreu, de 37 anos, acompanha cada etapa da situação.
Segundo ela, o problema vai além da dor física. “Isso afeta toda a família. A gente espera que resolva logo”, disse.

Mutirão reúne instituições para agilizar atendimentos
Casos como o de Rosevel se repetem durante a 2ª Semana Nacional da Saúde no Tocantins. A mobilização ocorre em cidades como Palmas, Araguaína e Gurupi.
A ação reúne diversos órgãos em uma força-tarefa coordenada pelo Comitê Estadual de Saúde e integra iniciativa nacional do Conselho Nacional de Justiça.
No fórum, equipes da saúde, gestores, advogados, Defensoria Pública, Ministério Público e Judiciário atuam juntos. Dessa forma, buscam destravar processos e garantir atendimento mais rápido à população.
Ministério Público busca soluções concretas
O promotor Thiago Ribeiro Franco Vilela destacou que o foco da atuação é garantir resultados práticos.
“Aqui, o Ministério Público reafirma seu compromisso com o cidadão. Mais do que analisar processos, queremos transformar decisões em atendimentos reais”, afirmou.
Segundo ele, muitos casos se arrastam há anos. Por isso, a atuação durante o mutirão prioriza situações urgentes.
Outras histórias também ganham encaminhamento
Além de Rosevel, outras famílias buscaram ajuda no mutirão. A dona de casa Maria José Pinheiro de Sousa, de 60 anos, acompanha o irmão, que aguarda exame há três anos.
Ela relatou que tentou resolver a situação em diferentes órgãos, mas não conseguiu retorno. “Prometeram ligar, mas nunca ligaram. Por isso procurei o Ministério Público”, disse.

Justiça aposta em diálogo e rapidez
A juíza Milene de Carvalho Henrique, coordenadora do comitê estadual, afirmou que a iniciativa prioriza quem mais precisa.
Segundo ela, o trabalho conjunto entre instituições permite respostas mais rápidas. Além disso, o modelo aposta no diálogo para resolver demandas acumuladas.
Mais de mil atendimentos previstos
Durante a semana, o mutirão prevê 329 audiências apenas em Palmas. Além disso, a programação inclui mais de 1.700 atendimentos especializados.
Entre os serviços, destacam-se ações voltadas à saúde mental infantojuvenil, incluindo casos de TEA, TDAH e outras condições do neurodesenvolvimento.
Assim, a mobilização busca reduzir filas, acelerar tratamentos e devolver dignidade a pacientes que aguardam há anos.

